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Alemanha

Quando os engarrafamentos se multiplicam

Trânsito não é só problema de brasileiro. Rodovias alemãs às vezes também parecem estacionamentos gigantes. Especialistas apelam para a física de partículas ou a teoria dos jogos, mas não esperam revolução sobre rodas.

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Trânsito na rodovia A8 de Munique a Salzburgo: todo ano a mesma coisa, quando chegam as férias

No trânsito, somos todos iguais. Não importa se você é diretor de uma grande empresa ou encanador, se seu carro é uma Mercedes zero quilômetro ou se você dirige um caminhão de carga. Nos trechos onde um congestionamento é mais do que provável – como Lotte-Osnabrück ou Swisttal-Heimertsheim – todo mundo se encontra. Só que lá seu automóvel já não tem mais muito de "móvel". Cientistas tentam explicar o processo.

A pista acaba aqui

Não é por acaso, como muitos podem acreditar. "Oitenta por cento dos engarrafamentos ocorrem porque muitas pessoas resolvem fazer o mesmo percurso num mesmo momento", elucida Michael Schreckenberg, professor de Física do Trânsito da Universidade de Duisburg-Essen. É como num filme: todos os europeus querem ir ao sul, todos querem chegar lá o mais rápido possível e todos partem ao mesmo tempo.

Verkehrstau

Um belo desfile de carros usados...

Basta que alguém pise nos freios com um pouco mais de força: "Os de trás então freiam com mais força ainda e o processo se reproduz", explica Peter Wagner, diretor do Departamento de Informática do Trânsito do Instituto Alemão de Aeronáutica. "Quem estiver lá trás acaba ficando parado." Pronto: já se tem um belo desfile de carros usados.

A fila cresce para trás

Mas essa massa de veículos não está apenas parada, ela continua crescendo para trás. Uma redução da velocidade para 15 km/h basta para causar um engarrafamento nas estradas alemãs. E a frustração cresce tão rapidamente quanto a fila de carros no espelho retrovisor. Pois os carros que vêm de trás se aproximam com uma velocidade maior que a velocidade de arranque dos carros na ponta dianteira da fila.

Especialmente propícios a engarrafamentos são trechos onde a pista se estreita, como em caso de obras ou acidentes. Mas o pior de tudo são rampas de saída, quando uma multidão de carros quer ocupar a mesma pista. Para Schreckenberg, esse movimento é similar à respiração: "Um fenômeno periódico. O sistema inspira veículos e aspira trânsito".

De homens e partículas

Cientistas se esforçam para compreender o trânsito – previsões de onde poderia haver obstáculos ao fluxo normal já existem. Alguns tentaram comparar esses veículos a partículas físicas. "Enquanto houver espaço suficiente, eles se movimentam mais ou menos livremente, como um gás", explica Wagner. "Se a pressão aumentar, eles passam a fluir como um líquido. Se ela continuar aumentando, eles, digamos assim, congelam."

Verkehr Autobahn

...à noite um espetáculo de luzes!

A comparação é até boa, uma vez que, ao que parece, esses átomos odeiam se chocar uns com os outros, assim como os motoristas. Mas ela vai longe demais. "Nesses carros estão seres humanos, não partículas", alerta Schreckenberg. "Eles reagem cada um de um jeito, uns freiam antes, outros depois." E, infelizmente, pensam por si sós e, em vez de respeitar o limite de velocidade de 60 km/h que garantiria um fluxo contínuo, dirigem a 80 km/h, disse Wagner. "Isso pode não acabar com o trânsito, mas pelo menos eu fico na frente."

Trânsito é brincadeira!

Para diminuir a pressão, os motoristas deveriam deixar as rodovias e buscar uma alternativa pelas vias internas, argumenta Martin Treiber, da cadeira de Planejamento de Trânsito da Universidade Técnica de Dresden. "Eles provavelmente não lucrariam muito com isso, mas pelo menos a rodovia ficaria mais livre. Um problema para a teoria dos jogos."

Mas claro que ninguém é tão altruísta a ponto de simplesmente abrir caminho para os outros. Além do mais, o mais provável é que esses desvios também estejam congestionados. Então, o melhor a fazer é relaxar e procurar algo para fazer. Matar o tempo. Fazer teatro de fantoches para o motorista do carro ao lado é uma opção. Se você já tiver buscado as crianças da escola, melhor ainda: então é só tirar as meias sujas da mochila, que elas dão ótimos bonecos. Quem tomou café antes da viagem é que tem um problema. Da próxima vez, opte por um chá relaxante.

Reclamando de boca cheia

Cada alemão passa, em média, 58 horas por ano no trânsito. Segundo um estudo feito pela BMW, isso ocasiona custos de 100 bilhões de euros para o Estado. Sem contar o estado de nervos.

Mas, para Schreckenberg, os alemães reclamam de boca cheia. "Nós reclamamos o quanto podemos, mas, se compararmos a cidades como Seul, Istambul ou Tóquio, onde há dez quilômetros de engarrafamento em quatro pistas...isso, sim, é trânsito!"

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