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Economia

Quando as reservas se derretem

A debilidade do setor bancário alemão vêm à tona com rumores sobre falta de liquidez no Commerzbank. A Agência Federal de Controle Financeiro investiga, no entanto, possíveis manipulações da cotação das ações do banco.

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Sede do Commerzbank em Frankfurt

"Todo o setor financeiro alemão encontra-se em uma profunda crise", confirma Stefan Best, da agência de rating Standard & Poor's ao semanário Die Zeit. Embora boa parte dos bancos negue o fato – crise? Que crise? Afinal, a imagem é a alma do negócio —, o medo se alastra. Especialistas afirmam que as instituições de crédito alemãs passaram muito tempo "brincando de Banco Imobiliário".

Agora, chegou a hora da verdade. Após uma década de esbanjamento, a realidade bate à porta com a vingança do mercado. Acredita-se que o Commerzbank, considerado um dos mais sólidos do país, pode estar enfrentando sérios problemas de falta de liqüidez. A simples existência dos rumores provocou uma enorme queda das ações do banco nos últimos dias.

Enquanto o presidente Klaus-Peter Müller insiste em afirmar que o Commerzbank "não tem, nem nunca teve" falta de liqüidez, sindicalistas confirmam os planos de demissão de mais de quatro mil funcionários. A própria Standard & Poor's abaixou, na última terça-feira (8), a classificação de solvência do Commerzbank de "A" para "A -". Com isso, o banco foi parar no último lugar no ranking das grandes instituições de crédito alemãs, juntamente com o DZ-Bank.

Manipulações — Nesta quarta-feira (9), a Agência Federal de Controle Financeiro anunciou, no entanto, ter dado início a investigações sobre uma possível inveracidade dos rumores em torno da liquidez do Commerzbank. O órgão federal parte de suspeitas sobre eventuais manipulações da cotação das ações do banco. Especula-se se os boatos sobre o Commerzbank teriam se alastrado pela mídia de maneira proposital, com o intuito de provocar a queda das ações do banco.

Demissões — Especulações à parte, quando os investidores pensam que o limite da queda chegou ao fim - atingindo o fundo do poço - os indicadores registram números ainda mais assustadores da crise bancária. Somente em 2002, o setor bancário foi responsável pela demissão de 35 mil pessoas na Alemanha. O fim de uma era de esbanjamento nas finanças alemãs já havia sido anunciado, em fins de setembro, com a demissão de Leonhard Fischer da presidência do Dresdner Bank.

Adeus anos dourados – Fischer, considerado "o popstar do cenário financeiro de Frankfurt", segundo o semanário Der Spiegel, representou, como nenhum outro, o modelo anglo-americano de investimentos, que teve seu ápice em fins dos anos 90: os áureos tempos em que o mercado de ações, a bolsa de valores e as diversas fusões fizeram surgir muitos milionários. Hoje, com o mercado acionário mais abatido do que nunca e uma onda de demissões em massa, Fischer foi convidado a dar adeus à presidência do Dresdner.

Japão do novo milênio – Analistas econômicos fazem uma analogia entre a situação do Japão, em fins dos anos 80, e a da Alemanha atual. A lição nipônica ensina que deve-se levar a sério a questão. Na crise japonesa, desencadeada em 1989, a construção civil e o setor imobiliário desmoronaram, seguradoras faliram e cadeias sólidas tiveram que fechar suas portas. Os bancos tiveram que amortizar um número enorme de créditos, que ninguém conseguia restituir.

A economia japonesa, até hoje, não se recuperou totalmente, o que é mais uma razão para a Alemanha tomar cuidado. Assim como no Japão de ontem, o Estado tem que aprender a economizar, para não ser engolido pelas dívidas que se acumulam a cada ano. "As seguradoras estão à beira da falência e os bancos são obrigados a amortizar créditos podres", observa o Die Zeit.

Perdendo o bonde – O setor já entendeu que não pode viver como antes, se não quiser perder definitivamente o bonde da economia globalizada. A palavra de ordem é redução de créditos, o que acarreta, automaticamente, um menor crescimento econômico, desaquecendo a economia em um círculo quase vicioso. Este, por sua vez, não pode ser facilmente quebrado, considerando-se que as empresas alemãs – se comparadas ao mercado internacional – dependem excessivamente de créditos bancários e meios externos de financiamento, notadamente as de pequeno e médio porte.

Tropeços das seguradoras – A debilidade econômica se assenta em dois pilares: os bancos e as seguradoras. "O setor alemão de seguros enfrenta sua maior crise desde a Segunda Guerra Mundial", aponta Jochen Specht, da agência de rating Assekurata, citado pelo semanário Die Zeit.

Acredita-se que a Alemanha apresenta hoje, o que os EUA e a Grã-Bretanha já viveram na década de 90: o mau gerenciamento da economia, a falta de decisões estratégicas no momento certo e "a expansão de créditos no lugar e no momento errado".