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Economia

Quando a mesada não basta

Além de ir à escola, os adolescentes alemães trabalham cada vez mais para custear celular, roupa de grife, concertos e diversão no fim de semana. Os pedagogos se perguntam se isso não atrapalha o rendimento escolar.

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Hotéis sempre têm bicos para estudantes

Num país como o Brasil, onde a grande maioria trabalha – e muito – para garantir sua subsistência, inclusive adolescentes e crianças no setor informal, pode até parecer estranha a preocupação de um ou outro diretor de escola na Alemanha. Há 10 ou 20 anos, apenas poucos escolares de nível médio procuravam algum bico, seja para poder comprar algo mais caro, como um aparelho de som, ou para reforçar a mesada, quando os pais não podiam lhes dar muito dinheiro.

Hoje, um terço da garotada de 15 a 19 anos trabalha regularmente, enquanto 42% optam por trabalhar só alguns dias por semana e nas férias. Esses dados foram apresentados pelo diário Kölner Stadt Anzeiger, que dedicou um grande espaço ao tema esta semana. Eles constam do estudo Jovens nos novos mundos do aprendizado, que o Instituto Juvenil Alemão de Munique vai publicar em breve.

Grande poder aquisitivo e muitos desejos

A grande maioria mora com os pais e, portanto, tem casa, comida e mesada. Por que trabalhar então? Quem perguntar a algum jovem, vai obter mais ou menos a mesma resposta: eu trabalho para pagar a conta do meu celular, comprar roupas de grife, lanchar e comer fora, comprar entrada de concertos, me divertir, ou economizar para alguma aquisição maior. Na lista das garotas está também o bronzeamento artificial, já que uma tez bronzeada é chique e no sol não dá para confiar nestas latitudes. Na dos garotos, aparecem também jogos e equipamento de computador. Alguns "precisam" de uns 150 euros por mês, outros de 250, num país em que um cineminha, com direito a pipoca e Coca-Cola no fim de semana não fica por menos de 15 euros.

A sociedade da informação, com as novas tecnologias, internet, celular e companhia, veio acompanhada de um novo estilo de vida. Resultado: os jovens mudaram seus hábitos de consumo. E gastam para caramba. A prova está num outro dado divulgado nesta quarta-feira (09/07). Crianças e jovens de 6 a 19 anos têm à disposição na Alemanha 20,43 bilhões de euros por ano e seu poder aquisitivo aumentou 24% nos dois últimos!

"Zumbis" na escola

Kleidungseinkauf

Muitas garotas que ainda vão à escola trabalham em boutiques

O tipo de trabalho, tanto faz. Preferidas são as ocupações em empresas, como servir de pagem ou recepcionista em hotéis - algo mais para o sexo masculino. Em segundo lugar vêm as atividades em casa ou no jardim, como também distribuir jornais e material publicitário. Servir de baby-sitter e trabalhar de garçonete é mais para garotas, além de dobrar camisetas e malhas nas lojas e fazer limpeza. Já arrumar mercadoria nas prateleiras de drogarias e supermercados e fazer animação em colônias de férias é bico para ambos os sexos.

Com tanto trabalho, o presidente da Associação dos Professores de Hamburgo, Arno Becker, se pergunta se não está havendo uma inversão e é a escola que acaba se transformando em algo secundário, que se faz além de trabalhar. "Na segunda-feira eles estão lá arreados sobre suas carteiras, totalmente sem motivação, cansados do trabalho no fim de semana", contou ao jornal de Colônia. A sua opinião é clara: um bico lucrativo não é compatível com um bom rendimento escolar. Trabalhar significa planejar o dia-a-dia, dispor das horas livres, o que acaba resultando em estresse, principalmente na época de provas.

O outro lado da medalha

E o que diz a rapaziada? Eles vêem a questão de forma completamente diferente. Dizem que tudo é uma questão de disciplina e de organização, embora admitam que às vezes a coisa aperta. Todos acham que o bico é um bom treino para a luta pela sobrevivência, que está ficando cada vez mais dura. Ele estimula o senso de responsabilidade, afinal não se recebe as coisas de mão beijada dos pais, mas se consegue o dinheiro "suando a camisa".

Além de aliviar o orçamento familiar, dá uma sensação de independência e ensina também a lidar com dinheiro. Mais ou menos a essas conclusões chegou um estudo da Universidade de Bonn: quem acrescenta uns cobres à sua mesada trabalhando, tem mais segurança em lidar com dinheiro e até tende a economizar. Ou seja, nem tudo está perdido e nem todo euro é gasto em puro consumismo ou em futilidades, alguns vão parar no porquinho.

Para grande parte dos professores, esses são efeitos secundários positivos da questão, mas não se deve aceitar passivamente a dupla jornada dos jovens. Por entender que proibições não trazem o efeito desejado, uma escola secundária de Colônia resolveu entrar na onda e tratou de conseguir bicos em escritórios, para que, pelo menos, a garotada possa aplicar o que aprendeu na aula de informática.

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