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Copa do Mundo

Quadrilha vendia mil ingressos da Copa por jogo, afirma investigador

Faturamento por partida pode ser de até de 1 milhão de euros, sugere promotor envolvido nas investigações. Onze pessoas são presas no esquema, que já atuou em outras Copas.

O esquema milionário de venda ilegal de ingressos-cortesia da Copa do Mundo, desbaratado nesta terça-feira (01/07) no Brasil, vendia cerca de mil bilhetes por jogo, a um preço médio de 1.000 euros, afirmou o promotor Marcos Kac, que participa das investigações, à agência de notícias AFP.

Por esse valor, o faturamento seria de 1 milhão de euros a cada partida. Já o delegado Fabio Barucke, responsável pelo caso, afirmou que o faturamento da quadrilha era de 1 milhão de reais por jogo.

Nesta terça, 11 pessoas foram presas no Rio de Janeiro e em São Paulo como parte da Operação Jules Rimet, que investiga o esquema de revenda por preços exorbitantes de entradas cedidas gratuitamente a federações, parceiros comerciais e jogadores de futebol. Somente nesta terça-feira, cerca de cem ingressos foram apreendidos.

Segundo Barucke, os 11 homens presos confessaram que esquemas semelhantes ocorreram em quatro Copas do Mundo anteriores. Os envolvidos teriam faturado cerca de 200 milhões de reais por evento.

Três agências de viagem do Rio de Janeiro teriam ajudado na venda dos bilhetes a preços exorbitantes. "Descobrimos que essas empresas faziam contato com agências de turismo que traziam estrangeiros para o Brasil e ofereciam os ingressos acima do preço. A rentabilidade ia de 200% a 1000%", afirmou Barucke.

Segundo o delegado, há fortes indícios de que o argelino Lamine Fofana Mohamadou, apontado como o líder da rede de venda ilegal, tenha estreitas ligações com a Fifa. "Temos razões para acreditar que um membro da Fifa esteve envolvido com o grupo", disse Barucke, acrescentando que "o carro dirigido pelo argelino tinha um adesivo que lhe permitia a entrada em todos os eventos particulares da federação."

Segundo Kac, a suspeita é de que os bilhetes não foram comprados por canais oficiais, mas obtidos por meio de contatos dentro da própria Fifa. As entradas apreendidas são todas originais e teriam sido distribuídas pela federação para associações de futebol, patrocinadores e jogadores.

Os investigadores suspeitam também do envolvimento de funcionários da CBF, da Associação de Futebol da Argentina (AFA) e da Real Federação Espanhola de
Futebol, já que alguns dos ingressos vendidos eram cortesias repassadas a essas associações.

As pessoas presas na operação foram indiciadas por cambismo, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Os compradores dos ingressos vendidos de forma irregular também poderão ser chamados para depor como testemunhas do inquérito. As contas-corrente dos indiciados foram bloqueadas, e a quebra do sigilo bancário já foi pedida à Justiça.

A Fifa se declarou satisfeita com o sucesso da operação. O diretor de marketing Thierry Weil afirmou ainda que a federação e seu parceiro na venda dos bilhetes, a empresa Match, auxiliarão na identificação dos responsáveis. Segundo Weil, informações importantes já teriam sido repassadas aos oficiais brasileiros.

Ligação com estrelas do futebol

Apesar de não estarem sob suspeita, Dunga, ex-treinador e jogador da Seleção, e o irmão e empresário de Ronaldinho, Roberto Assis Moreira, serão chamados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro a depor sobre o caso. Ambos teriam mantido conversas telefônicas com Fofana.

Sobre o irmão de Ronaldinho, Kac relatou que os investigadores sabem que ele "disse a alguns de seus amigos que eles poderiam comprar ingressos pelo sistema. No momento, ele não está envolvido com o esquema, mas precisamos averiguar se existe alguma relação dele com o grupo, se ele colaborou de alguma forma."


BA/AS/dpa/ap/afp

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