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Mundo

Putin prepara russos para pelo menos dois anos de crise

Presidente admite que queda do petróleo incomoda, mas serve para estimular Rússia a diversificar economia. Ele garante não haver planos de fixar o rublo ou usar reservas internacionais.

Durante sua coletiva anual de imprensa, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeu que os problemas econômicos do país não vão durar para sempre. A entrevista coletiva foi realizada nesta quinta-feira (18/12), em Moscou, com a presença de mais de mil jornalistas.

A Rússia está enfrentando sua pior crise econômica desde que Putin assumiu a presidência, em 2000. Ele procurou acalmar os temores de um colapso econômico, alegando que uma melhora da situação é "inevitável". O Banco Central russo e o governo vão tomar medidas conjuntas e, apesar das turbulências, as receitas do Estado serão maiores do que as despesas, assegurou Putin.

"Sob as mais desfavoráveis condições mundiais, uma situação como essa pode durar no máximo dois anos", analisou. O presidente afirmou ainda que não existem planos para fixar a cotação do rublo ou para usar os cerca de 340 bilhões de euros em reservas internacionais para fortalecer a moeda russa, que perdeu cerca de 45% de valor em relação ao dólar neste ano.

Na última semana, a moeda russa enfrentou uma queda dramática, atingindo o mínimo histórico de 80 rublos por dólar e 100 para cada euro. Na tarde desta quinta-feira, a cotação registrada foi de 61 rublos por dólar, 75 por euro e 23 rublos para cada real.

Crise estimula diversificação

Putin admitiu ainda que a atual queda dos preços do petróleo incomoda, mas servirá para encorajar a Rússia a reduzir sua dependência das exportações de petróleo e gás e diversificar sua economia.

Já quanto às sanções econômicas impostas pelo Ocidente, devido ao conflito no leste da Ucrânia, Putin afirmou que elas causaram um dano mínimo. "Talvez 25% ou 30% [da crise econômica] se devam às sanções", disse.

Sobre o conflito na Ucrânia, Putin alegou que a tentativa do governo ucraniano de deter os separatistas no leste do país foi uma "operação punitiva" e que a Rússia estava lutando pelo seu direito de existir.

O chefe de Kremlin repetiu também suas críticas à expansão da Otan, comparando-a ao início de uma nova Guerra Fria. "A admissão de países do Leste Europeu na aliança militar é como construir um novo Muro de Berlim", disse Putin.
Ele afirmou ainda que a posição da Rússia em relação à Ucrânia deveria mostrar aos parceiros que estes têm a incumbência de impedir a construção desse novo muro. A crise na Ucrânia deve ser resolvida o mais rápido possível por meios políticos, disse.

O governo ucraniano busca reforçar os laços com a União Europeia (UE), o que é rejeitado pelos separatistas pró-Rússia no leste do país. Além disso, Kiev quer que a Ucrânia seja admitida na Otan. O Ocidente acusa a Rússia de apoiar os rebeldes militarmente e, assim, desestabilizar a Ucrânia. O conflito já causou a morte de ao menos 4.700 pessoas.

Schießerei in Grosny Tschetschenien 04.12.2014

Declarações de líder checheno Ramzan Kadyrov causaram incêndios e tiroteios em Grózni

Críticas a líder checheno

Putin também comentou assuntos internos russos. Ele criticou o líder checheno Ramzan Kadyrov por este ter dito que familiares de insurgentes islâmicos seriam punidos em caso de um ataque rebelde em Grózni, capital da República da Chechênia. Após a declaração de Kadyrov, diversas casas foram incendiadas.

"Ele não tinha o direito de fazer isso", disse Putin. "Todos na Rússia devem respeitar as leis que aqui estão em vigor. Talvez alguém tenha simplesmente feito uso [das palavras de Kadyrov], mas talvez não. As autoridades policiais devem reagir de acordo", concluiu.

As declarações de Kadyrov foram motivadas por um ataque realizado por um grupo de insurgentes, em 4 de dezembro, em Grózni. O confronto deixou 14 policiais e 11 rebeldes mortos.

PV/afp/dpa/rtr/ap

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