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Mundo

Putin prepara "nova KGB"

Desde que Putin, um ex-agente secreto, se consolidou no poder, a influência das agências de inteligência cresce em Moscou. Uma reforma completa do setor estaria em curso, com a criação de superministério de segurança.

Um comboio chamou a atenção recentemente em Moscou. No início de julho, imagens de um cinegrafista amador divulgadas na internet mostravam um grupo de homens jovens em cerca de 30 carros estilo jipe Mercedes-Benz nas ruas da capital russa.

Eles eram estudantes da academia do Serviço Federal de Segurança (FSB), a atual agência de inteligência russa, que comemoravam sua graduação. Os jovens, todos de camisas brancas, se apresentavam como uma tropa de elite, como soberanos em seu país.

O escândalo gerado pela divulgação das imagens foi motivado pelo que muitos consideraram uma arrogante ostentação por parte dos formandos. Mais tarde, o FSB informou que os agentes e seus superiores foram rebaixados de cargo, alguns até dispensados.

O incidente parece ser um símbolo do atual status do serviço secreto na Rússia. Desde que o presidente Vladmir Putin assumiu o poder, a influência das agências de inteligência é cada vez maior. O próprio Putin era agente da KGB – o notório serviço secreto da era soviética. No final dos anos 1990, ele chefiou a FSB, criada para substituir a antiga agência. Há anos ele vem nomeando outros ex-agentes para ocupar posições importantes no governo.

Superministério de inteligência

A partir de agora, tudo indica que essa tendência será ainda mais reforçada. Nesta segunda-feira (19/09) o jornal moscovita Kommersant divulgou que o governo planeja realizar uma reformulação completa do setor, com a criação de um novo Ministério de Segurança e Inteligência, que receberia a sigla MGB.

Esse superministério seria criado a partir da FSB, incorporando o Serviço de Inteligência Exterior (SVR) e uma parcela da guarda de serviços do Estado (FSO), responsável pela segurança de políticos e autoridades de alto escalão.

"Na realidade, se trata da FSB retomando as tarefas da KGB", afirmou o Kommersant.

Há também planos para que o novo ministério investigue alguns casos especialmente controversos e supervisione as investigações de outros órgãos do Judiciário. A previsão do jornal é de que o MGB deverá ser criado ainda antes das eleições presidenciais em 2018.

As mudanças começaram há alguns meses, com a criação da Guarda Nacional, corporação, diretamente controlada por Putin, formada com base nas chamadas tropas internas, uma unidade militarizada do Ministério do Interior. Seu líder é Viktor Zolotov, o ex-chefe de segurança do presidente. Alguns analistas apontam que o objetivo da Guarda Nacional será, principalmente, reprimir protestos por parte de civis.

O Kremlin não confirmou nem tampouco desmentiu a reportagem do Kommersant. O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, se recusou a comentar o artigo. Também não está claro se o novo ministério será de fato chamado de MGB. O jornalista russo Oleg Kashin tem suas dúvidas, afirmando que a sigla remete a um passado sombrio.

O antigo serviço secreto soviético era conhecido como MGB entre 1946 e a morte do ditador Josef Stalin, em 1953. "Foi apenas durante alguns anos após a Segunda Guerra Mundial, mas numa época em que havia uma terrível onda de repressão stalinista", lembra Kashin.

Se o FSB realmente agregar esses poderes, e com eles o antigo nome da era stalinista, se encaixaria perfeitamente na concepção de retorno aos símbolos soviéticos em Moscou.

Saudades de Stalin

Esse processo foi iniciado no ano 2000 com a reintrodução da melodia do hino nacional soviético. Stalin e seu "pulso de ferro" têm sido glorificados durante anos pela imprensa estatal. Memoriais ao antigo líder são novamente erguidos em todo o país, e sua imagem aparece com frequência em painéis de propaganda.

Nos últimos dois anos, particularmente com a anexação da Península da Crimeia pela Rússia, esse processo parece ter ganhado novo impulso. Em março, o Centro Levada, um instituto independente de pesquisas, conduziu um levantamento sobre Stalin, que revelou que a maioria da população (54%) avalia seu papel na União Soviética como positivo.

Um em cada quatro russos considerou que o terror de Stalin teria sido uma "necessidade". Essas opiniões, segundo o Centro Levada, são cada vez mais comuns. Com esse pano de fundo, a reforma – e renomeação – do FSB poderá ser o próximo passo da retomada dos antigos símbolos soviéticos.

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