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Esporte

Publicidade no traseiro gera discussão na Alemanha

Clube da quarta divisão do futebol alemão disputa na Justiça direito de estampar patrocínio na parte de trás dos calções.

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'Kanzlerstadt': propaganda em lugar privilegiado

Sentado em seu bar favorito com um amigo, Jürgen Scholz, presidente do Arminia Hannover, um pequeno clube amador da quarta divisão do futebol alemão, discutiu certa vez meios de angariar recursos financeiros para o seu time.

Scholz reclamou ao amigo, dono de uma butique, que o orçamento estava curto e que ele temia pelo futuro da equipe. O colega então lhe sugeriu que um slogan patriótico – a palavra 'Kanzlerstadt', em uma alusão a Hannover como cidade do premiê Gerhard Schröder – poderia atrair patrocinadores.

A dupla teve ainda a "brilhante" idéia de não exibir o patrocinador nas camisas da equipe – como seria normal –e, sim, na parte de trás dos calções. Resultado: o Arminia Hannover entrou em campo, no início da temporada 2003/2004, com a palavra 'Kanzlerstadt' estampada no traseiro de seus 11 titulares.

Entretanto, o futebol alemão não estava preparado para um acordo de publicidade inovador. Isso fez com que a Federação Alemã de Futebol (DFB) levasse o clube para os tribunais.

DFB: "Atrás não"

Zentrale des Deutschen Fußball-Bundes in Frankfurt

DFB: na mira do pequeno Arminia Hannover

De acordo com o estatuto do futebol alemão, anúncios só podem aparecer nas camisas e em uma pequena parte das mangas do uniforme. Como o 'Kanzlerstadt' aparece um pouco mais abaixo e na parte de trás, o Arminia Hannover foi indiciado a pagar uma série de multas de 300 euros cada à associação de futebol da Baixa Saxônia.

Isso, no entanto, não desencorajou Scholz, convicto de não haver cometido um erro. Atualmente, o caso está pendente, uma vez que o presidente do pequeno clube deu entrada a um processo contra a DFB no tribunal de Frankfurt, pedindo uma alteração do estatuto no que diz respeito ao posicionamento da publicidade nos uniformes.

Rivais mostram quem paga

O Arminia Hannover pode receber apoio até da Bundesliga na briga com a DFB. Vários clubes da Primeira Divisão do futebol alemão já deram a entender que seriam bem-vindas mudanças no regulamento, permitindo o uso da linha abaixo da cintura para a exibição de patrocinadores.

Giovane Elber - Michael Ballack Bayern München gegen Lyon

Lyon, onde jogou Élber, é um dos times franceses que abusa do uniforme

Na França, Bélgica e Espanha, os clubes posicionam anúncios publicitários em lugares diferentes na parte da frente das camisas e nas mangas, enquanto os jogadores na Áustria já se parecem com pilotos de automobilismo, cujo macacão é repleto de nomes de patrocinadores.

Em julho de 2003, a Fifa se prontificou a fazer um acordo que permitiria a estampa de patrocinadores em qualquer lugar dos uniformes. Caso o tribunal de Frankfurt leve isso em consideração, a DFB poderia perder o caso contra o Arminia Hannover, abrindo um precendente no futebol alemão.

Enquanto as associações podem definir suas próprias regras em relação a certas coisas, Jürgen Scholz lamenta a manutenção da pena imposta pela DFB. "Amanhã eles podem proibir cabelos longos ou chuteiras brancas. Por que este tipo de patrocínio irrita tanto a DFB e não incomoda os austríacos ou os espanhóis?", questiona.

Desde o começo da briga judicial, Scholz retirou o 'Kanzlerstadt' dos calções de sua equipe. Caso a decisão da DFB seja revogada, o traseiro dos jogadores do Hannover voltarão a ser estampados – mas talvez com outro nome em vez de 'Kanzlerstadt'. O presidente do clube procura um patrocinador que invista 15 mil euros por temporada.

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