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Mundo

Publicado livro póstumo de editor de "Charlie Hebdo"

Finalizado apenas dois dias antes de atentado à sede do jornal satírico, em Paris, livro de Stephane Charbonnier, morto no ataque, critica uso do termo islamofobia e defende direito de abordar religião com humor.

As bancas francesas receberam nesta quinta-feira (16/04) a edição póstuma do livro concluído pelo editor Stephane Charbonnier, conhecido como Charb, apenas dois dias antes do ataque terrorista à redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em 7 de janeiro, no qual ele e outras 11 pessoas foram mortas.


O Lettre aux escrocs de l'islamophobie qui font le jeu des racistes (Carta aos vigaristas da islamofobia que fazem o jogo dos racistas, em tradução livre) condena a islamofobia, considerando-a um disfarce do racismo. Charb ridiculariza o uso do termo por alguns jornalistas, seja por preguiça ou por interesse comercial, e censura políticos que atiçam o que o ex-editor do Charlie Hebdo considera um injusto debate sobre identidade nacional.

Ele ainda diz que "muitos daqueles que fazem campanha contra a islamofobia na verdade não o fazem para defender os muçulmanos como indivíduos, mas para defender a religião do profeta Maomé".

Segundo ele, a imprensa ajudou a popularizar o termo islamofobia, pois "qualquer escândalo que contenha a palavra 'islã' no título vende". Um terrorista assusta, mas se você acrescentar que ele era um islamista, fica ainda mais empolgante, escreveu Charb.

Diferentemente do Charlie Hebdo, as 88 páginas não contêm caricaturas – apenas textos. Logo na abertura, Charb comenta que seu público-alvo inclui aqueles que "acham que está escrito no Corão que desenhar o profeta Maomé é proibido, que caricaturar um jihadista em uma posição ridícula insulta o islã, que um desenho pode ser mais perigoso que um drone americano".

Ele ainda condena quem demoniza os muçulmanos. "Se um dia todos os muçulmanos da França se converterem ao catolicismo, estes estrangeiros ou franceses de origem estrangeira continuarão sendo vistos como responsáveis por todas os males", escreveu.

Sendo assim, sugere o autor, atitudes como esta deveriam ser caracterizadas como "muslim-o-fobia", que se refere ao medo irracional de pessoas, em vez de islamofobia, que supõe uma atitude contra uma religião.

Charb, que vinha recebendo diversas ameaças de morte desde a primeira vez que o Charlie Hebdo publicou caricaturas de Maomé, em 2006, ainda defendeu a linha editorial do semanário no qual trabalhava, que trata de ironizar diversas religiões. "A ideia de que você pode rir de tudo, menos de certos aspectos do islã, porque os muçulmanos são muito mais sensíveis do que o resto da população, é ou não é discriminação?", escreveu.

MSB/dpa/afp/ap

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