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Mundo

Província natal de Malala tem cada vez mais meninas nas escolas

Ativismo da adolescente, vítima de atentado talibã, impulsionou a frequência feminina aos colégios do noroeste do Paquistão. No entanto, radicais ainda impõem medo, e faltam professores e infraestrutura.

A Secretaria de Educação da província de Khyber Pakhtukhwa, no noroeste paquistanês, vem registrando neste ano um aumento no número de meninas inscritas nas escolas primárias. No espaço de apenas um mês, 200 mil crianças se matricularam, 75 mil delas garotas.

Entre os distritos onde a tendência mais se nota está Swat, onde fica a cidade de Mingora: ali, há um ano, Malala Yousafzai, a jovem defensora do direito das jovens ao ensino, foi ferida gravemente por radicais talibãs com um tiro na cabeça.

O secretário de Educação da província, Atif Khan, diz que agora a população compreendeu o significado da educação para o progresso do Paquistão. E expressou a esperança de que um episódio "perturbador" como a atentado contra Malala não se repita.

Malala Yousafzai iniciou aos 11 anos de idade sua campanha em favor do ensino para meninas. Em outubro de 2012, radicais talibãs a abordaram num ônibus, quando ela voltava para casa, e lhe deram um tiro na cabeça.

Sua vida só pôde ser salva graças a várias operações. Nos meses seguintes, a adolescente, hoje com 16 anos, recebeu numerosas distinções internacionais por sua luta, chegando a ser cotada para o Nobel da Paz. Atualmente ela mora na Inglaterra, juntamente com a família.

Extremismo imposto

Em 2007, o Talibã assumiu temporariamente o controle do Vale do Swat e da província vizinha Khyber Pakhtukhwa, impondo sua versão radical da sharia, a lei islâmica. Opositores políticos foram assassinados; violações da lei foram punidas com açoitamentos em público; as mulheres ficaram proibidas de frequentar a feira; as meninas não podiam mais ir à escola.

Malala Yousafzai Autobiographie

Autobiografia "I am Malala" despertou interesse internacional

E os extremistas talibãs não ficaram só nas proibições: escolas foram destruídas e, em emissões de rádio, eles faziam campanha acirrada contra a ida das meninas à escola.

Numa ofensiva maciça, os militares paquistaneses conseguiram expulsar da região a maior parte dos fundamentalistas e sua milícia. Cerca de 20 mil soldados ainda permaneceram, e somente nos próximos meses começará a gradativa retirada do Exército.

O Paquistão recebe auxílio internacional para ampliar seu sistema de ensino nas regiões do noroeste, fronteiriças com o Afeganistão. As verbas estatais disponibilizadas para satisfazer a demanda intensificada de ensino escolar na antiga cidadela talibã não bastam. Seria necessário contratar pelo menos mais mil professoras.

Influência positiva

Os extremistas destruíram 800 escolas na província, 180 das quais em Swat e distritos vizinhos – até o momento, apenas 43 foram reconstruídas. "Swat já esteve na linha de frente da formação escolar no Paquistão. Depois veio um tempo ruim. Mas agora estamos novamente lá. Em Swat há muitas Malalas. Agora, todas as garotas querem aprender, como Malala", diz a deputada provincial Nagina Khan.

Pakistan - Frauenbildung

Violência dos talibãs não intimidou jovens estudantes paquistanesas

Os radicais continuam presentes em Khyber Pakhtukhwa. Por isso, a simpatia por Malala e sua causa só é expressada a meia-voz. No entanto, ela é inegável, como afirma à DW Hussain Babak, antigo secretário de Educação da província. O covarde atentado contra a adolescente sensibilizou as pessoas para o tema educação.

"Depois do ataque, toda a nação se sentiu conclamada a enviar suas crianças para a escola. E o número de matrículas de meninas, de fato, subiu. Um dia, todas as garotas daqui vão estar frequentando a escola", aposta Babak.

Segundo ele, no passado, Khyber Pakhtukhwa teve que sofrer sob o terrorismo, e ainda hoje gente inocente é assassinada pelos extremistas. "Mas nós esperamos que em breve esses tempos tenham passado", diz.

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