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Mundo

Protestos e incidente marcam início da Loya Jirga

Protestos contra a presença de ex-combatentes e incidente com soldados alemães na tropa de paz (ISAF) marcaram a sessão da Loya Jirga, nesta quarta-feira (12), em Cabul, para eleger o novo presidente.

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Afegão ouve os debates dos delegados no rádio

A eleição do primeiro-ministro interino, Hamid Karzai, é tida como quase garantida após a retirada dos seus dois concorrentes mais importantes, o ex-rei Sahir Shah e o ex-presidente Burhanudin Rabbani. O enviado especial da União Européia, Klaus-Peter Klaiber, também se declarou decepcionado por ver antigos comandantes na assembléia. Porém, a participação dos ex-combatentes seria uma prova de que o governo interino se esforça pela sua integração.

Soldados alemães pararam quatro homens armados, que tentavam invadir a área da assembléia tradicional, em Cabul, e pelo menos um deles apontou arma para os alemães. A polícia afegã prendeu os quatro homens e anunciou a seguir que eles são guarda-costas de Wali Massud, irmão do comandante assassinado da Aliança do Norte, o legendário Achmed Shah Massud, e que até a semana passada era candidato à chefia do Estado afegão no próximo período de transição. O porte de armas é proibido e o incidente evidencia os problemas crescentes de segurança em Cabul.

Mãos sujas de sangue

No debate na conferência debaixo de uma tenda gigante, os protestos contra a participação de antigos combatentes e comandantes tornaram-se mais altos. "Disseram-nos que ninguém com as mãos sujas de sangue iria participar da Loya Jirga", disse o delegado Safar Mohammed, sob aplausos. "Não estou seguro de que isso é uma Loya Jirga ou um conselho de comandos", acrescentou. Ele protestou também por causa do número de delegados, pois em vez dos 1.500 anunciados chegaram 1.700.

A eleição do presidente estava prevista para esta quarta-feira, mas só deverá acontecer na quinta por causa dos longos debates. Karzai só tem agora uma concorrente e com pouca chance - Masuda Dshalal, uma colaboradora do programa de alimentação da ONU.

Papel do ex-rei

A Loya Jirga começou na terça-feira (11), com dia de um atraso, depois de uma discussão sobre o papel do ex-rei no futuro governo. A Aliança do Norte, que lutou contra o regime radical islâmico talibã e ajudou os Estados Unidos a destituí-lo, rejeitou um papel maior do antigo monarca na assembléia tradicional afegã.

Muitos delegados viam o ex-rei como uma esperança para o país destruído por secas, guerra civil e os bombardeios americanos em represália aos atentados de 11 de setembro. Especialmente a etnia pachtun, que constitui a maioria da população afegã, apostava no ex-rei, até porque se considera alvo de chicanas dos tadjique na antiga Aliança do Norte. Shah retornou ao Afeganistão em abril, depois de 29 anos de exílio em Roma.

Conferência de Bonn

A convocação da Loya Jirga foi combinada na conferência das quatro principais etnias afegãs, em Bonn, na Alemanha, em novembro de 2001. As principais tarefas dos delegados é eleger um novo governo de transição, com duração prevista de 18 meses, preparar as eleições e elaborar uma Constituição.

A conferência de Bonn foi uma conseqüência da derrubada do regime talibã pelos EUA, depois de os fundamentalistas islâmicos rejeitarem exigências de Washington para entregar Osama Bin Laden, que o governo do presidente George W. Bush responsabiliza pelos atentados em Nova York e Washington com quase três mil mortos.