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Alemanha

Protestos de 2ª feira unem esquerda e direita

A insatisfação da população com as reformas sociais do governo pode representar uma chance de crescimento de partidos de extrema direita e esquerda na Alemanha.

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Milhares de pessoas protestam em Leipzig contra reformas do mercado de trabalho

As ações de protesto contra as reformas do mercado de trabalho estão se alastrando pela Alemanha. De acordo com informações da organização crítica à globalização Attac, pelo menos 90 cidades alemãs planejam manifestações contra os cortes sociais nesta segunda-feira (16). Após os estados do Leste do país terem iniciado uma onda de protestos toda segunda-feira, cidades representativas do Oeste — como Colônia, Dortmund, Stuttgart e Saarbrücken — também estão planejando ações semelhantes.

Protestos: agitação de uma minoria?

Em reação aos protestos e às crescentes críticas internas ao seu governo, o chanceler federal Gerhard Schröder reiterou que pretende continuar no poder até o final de seu mandato em 2006 e se recandidatar pela terceira vez. "Não vejo ninguém no Partido Social Democrata (SPD) que esteja pensando seriamente em assumir a chancelaria federal", declarou Schröder à televisão alemã, remetendo-se à crescente insatisfação entre seus próprios correligionários. Ele descartou as manifestações do Leste do país contra suas reformas sociais como agitação de uma minoria.

No entanto, a impopularidade das reformas sociais do governo Schröder, sobretudo a reforma do mercado de trabalho (Hartz IV) e sua respectiva nivelação de salário-desemprego e ajuda social, poderá custar à coalizão social-democrata e verde o próximo mandato nas eleições parlamentares de 2006. Ou pelo menos causar ao SPD uma representativa perda de votos nas eleições estaduais deste ano. Mas quem sairá ganhando com a falta de prestígio dos social-democratas?

Insatisfação: uma chance para extremistas?

Análises da imprensa alemã apontam que os votos perdidos provavelmente não emigrariam para o grande bloco da oposição democrata-cristã e liberal. É que os conservadores têm a fama de ser ainda mais reformistas que os social-democratas. Além disso, é provável que a população, insatisfeita com receitas antigas do mainstream político, prefira apostar em partidos menores.

De acordo com uma análise do jornal Financial Times Deutschland, a reforma Hartz IV desestabilizou as formações partidárias estabelecidas e abriu chances eleitorais para partidos menores. Uma coisa certa, por exemplo, é o crescimento do Partido do Socialismo Democrático (PDS) nos próximos pleitos no Leste do país. Não é a primeira vez que isso acontece.

No entanto, a novidade agora seria a chance de crescimento dos partidos de extrema direita. Segundo o diretor do instituto de pesquisa Forsa, Manfred Güllner, tudo indica que 13% da votação nos estados correspondentes à antiga Alemanha Oriental seja destinada a partidos de extrema direita, como a União Popular Alemã (DVU) e o Partido Nacional Democrático (NPD). Na Saxônia, por exemplo, o NPD, que já detém 5% dos votos, poderia conquistar mais 9%, segundo indica o Financial Times Deutschland.

Formação de um novo reduto social-democrata

Tanto o PDS, sucessor do partido socialista da Alemanha Oriental, como os partidos de extrema direita podem ser beneficiados pela frustação gerada pelas reformas sociais. Ambos os lados estão convocando a população para as manifestações de segunda-feira, embora em algumas cidades a polícia tente separar manifestantes radicais de esquerda e de direita.

O jornal semanal Die Zeit também avalia a onda de protestos como uma amostragem representativa de toda a população: ativistas da classe operária da antiga Alemanha Oriental, classe média, funcionários e autônomos com grau acadêmico. Na avaliação do jornal, isso poderá levar a uma reestruturação dos domínios partidários na Alemanha.

Oskar Lafontaine

Oskar Lafontaine

Uma outra possibilidade seria o retorno do ex-presidente do SPD Oskar Lafontaine à política, como uma alternativa inesperada diante do desgaste da imagem pública de tantos políticos da situação. É difícil de avaliar se Lafontaine, que abandonou a política alemã há cinco anos após conflitos internos com seus correligionários, tem chances de se associar à ala mais esquerdista do SPD e criar um novo reduto social-democrata. A única certeza é que Lafontaine não é inteiramente inofensivo. Uma prova disso é a apreensão da cúpula SPD, que aumentou a pressão sobre o ex-ministro e ex-governador neste fim de semana, a fim de que ele siga a disciplina partidária ou abandone o SPD.

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