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Alemanha

Protestos contra lixo atômico perdem força

Os protestos contra o transporte de lixo atômico alemão para o depósito provisório completam 26 anos. Mas diminuíram sua intensidade e a lentidão do transporte. A carga vem da usina francesa de reprocessamento La Hague.

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Policiais vigiam o trem com 12 contêineres de lixo radioativo

Já se tornaram quase rotina os protestos dos habitantes do trecho entre Lüchow e Dannenberg, no centro da Alemanha, neste período do ano, quando o lixo das usinas nucleares alemãs é transportado para o depósito provisório de Gorleben, depois de ter sido reprocessado na usina La Hague, na França. Há 26 anos que as pessoas vão às ruas se manifestar contra os planos atômicos para a sua região.

Os protestos já contam com três gerações nesse meio tempo. Mas pela diminuição de sua intensidade pode-se deduzir que elas estão sendo vencidas lentamente pelo cansaço e por regras legais cada vez mais rigorosas para garantir o transporte da carga altamente radioativada.

Um trem carregado com 12 contêineres com lixo atômico se aproximava de Dannenberg na manhã desta terça-feira, sem os grandes obstáculos levantados pelos ecologistas nos anos anteriores. A quantidade da carga é a mesma de 2002, enquanto as barreiras levantadas se limitaram desta vez a alguns pneus e guarda-chuvas queimados e alguns ativistas algemados aos trilhos. Permanece, todavia, colossal o contingente policial de 13 mil homens de prontidão.

Lentidão menor - Em Dannenberg, os contêineres com 1300 toneladas de lixo atômico são retirados do trem e transportados de caminhão para o depósito intermediário em Gorleben. A distância é de apenas 20 quilômetros, mas o tempo de viagem depende dos protestos e dos obstáculos. No passado a operação costumava durar vários dias, mas desta vez a polícia conta o tempo em horas.

Em seus 26 anos de resistência, o ativista Wolfgang Ehmke aprendeu que em tempos de Castor (nome do contêiner) o veículo mais rápido é a bicicleta. Ehmke admite que os protestos diminuíram muito, mas garante que vai continuar dando trabalho à polícia, mesmo depois que as novas gerações de manifestantes desistirem. Como o depósito definitivo de lixo atômico está previsto só para o ano 2030, ele conta ainda com muita luta pela frente.

Mérito ou culpa dos verdes? - Rebecca Harms também esteve todos os anos no fronte dos protestos. Embora seja líder do Partido Verde na Assembléia Legislativa e candidata ao governo da Baixa Saxônia, ela culpa o seu partido pelo transporte de lixo altamente radioativo para Gorleben. Ela se diz contente com o acordo firmado pelo governo federal social-democrata (SPD) e Verde com o setor energético para desativar progressivamente todas as 19 usinas atômicas alemãs, mas acha que este processo dura muito tempo.

Harms defende a continuação dos protestos também por causa da ameaça dos partidos cristãos (CDU e CSU) e liberal de revogar o tratado de renúncia à energia nuclear quando voltarem ao poder. Ela argumenta também que continua sem solução a questão do deposito definitivo do lixo nuclear. Para maior complicação, estão paralisados no momento os trabalhos de reconhecimento na mina de sal desativada de Gorleben, perto do depósito intermediário. Cientistas deram pareceres contraditórios sobre as qualificações da mina para se tornar um depósito definitivo de lixo atômico.

Ativistas como Harms criticam o governo por ter escolhido Gorleben como depósito, sem haver procurado alternativas e os moradores da região temem que os protestos contra o transporte dos contêineres Castor aumentem a pressão para um depósito definitivo no lugar. Harms exige uma comparação de Gorleben com outros lugares, mas o seu correligionário no Ministério do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, não fez nada neste sentido até agora. E assim está programada mais uma onda de protestos para 2004 no caminho de Gorleben, embora sem a intensidade vivida no passado.

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