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Brasil

Protesto em Colônia apoia manifestações no Brasil

Com uma das maiores comunidades brasileiras da Alemanha, Colônia foi palco de mais um protesto no exterior em solidariedade às manifestações que levaram milhões de pessoas às ruas no Brasil na última semana.

Mais de 500 pessoas se juntaram ao protesto na cidade de Colônia, no oeste da Alemanha, neste sábado (22/06), em apoio às manifestações que tomaram as ruas em todo o Brasil nas últimas semanas. A polícia alemã acompanhou os manifestantes por todo o trajeto, e o protesto, convocado pelo Facebook, transcorreu sem incidentes.

Com bandeiras e camisas do Brasil, cartazes de protesto e entoando palavras de ordem, os manifestantes se encontraram em frente à Catedral da cidade – o principal símbolo de Colônia, no estado da Renânia do Norte-Vestfália. A cidade abriga uma das maiores comunidades brasileiras da Alemanha.

Gabriela Zopolato, uma das organizadoras do ato, diz que o protesto reuniu brasileiros e estrangeiros interessados em demonstrar solidariedade aos manifestantes no Brasil.

“Queremos incentivar as pessoas a irem às ruas, a se manifestarem. Não nos posicionamos contra nenhum governo, mas entendemos que é o povo quem precisa fazer a política”, frisou a estudante de engenharia mecânica na Universidade de Duisburg-Essen.

Demonstration Brasilianer in Köln

Brasileiros se encontraram em frente à catedral da cidade

A universitária se mostra confiante quanto às mudanças que a movimentação – no Brasil e no exterior – podem trazer à política brasileira.

“Querendo ou não, a mudança já aconteceu no comportamento do povo. Um povo que antes era conformado e que agora está se manifestando. Isso com certeza já traz uma mudança, pois as pessoas vão exigir os seus direitos e fiscalizar o governo a partir de agora”, diz Zopolato. “É muito importante esse papel da sociedade na política. Vemos muito isso na Alemanha, por exemplo.”

A organizadora do protesto acredita que é preciso pautar reivindicações específicas. “Não adianta ficar pedindo por tudo ao mesmo tempo. Precisamos propor soluções para o que a gente quer. É, sim, saúde, educação, segurança, transporte de qualidade, infraestrutura para o país. É tudo, mas tem que ser um de cada vez, com organização”, frisa a estudante, que veio para a Alemanha por meio do Programa Ciência Sem Fronteiras.

Discurso da Dilma Rousseff

A terapeuta familiar Ida Schrage, que veio exilada para a Alemanha na década de 1970, decidiu se juntar ao protesto deste sábado em Colônia para, segundo ela, reivindicar direitos pelos quais ela já luta há 40 anos. “Este é o processo democrático. O povo está aprendendo a não ser mais passivo, a não ter medo, a defender seus direitos.”

Demonstration Brasilianer in Köln

Protesto reforça reivindicações das manifestações no Brasil

Schrage, que foi anistiada no ano passado, em São Paulo, elogiou o pronunciamento feito pela presidente Dilma Rousseff, em cadeia nacional, nesta sexta-feira. “Ela tem mesmo interesse em mudar a situação do país. Só que existem ainda muitas forças de oposição”, observa.

O alemão Marco Schäfer, que já morou no Brasil, elogiou a maneira como os protestos estão sendo conduzidos e a reação do governo federal. “Quando a gente compara com manifestações realizadas em outros países [como no norte da África e na Turquia], a situação no Brasil é melhor. O discurso da presidente foi democrático, não foi contra o povo”, pondera. “Fico feliz pelo fato de as pessoas terem se manifestado. Podemos esperar que uma mudança finalmente vá acontecer.”

Apoio internacional

A manifestação em Colônia teve reforço de manifestantes em prol da causa turca. Durante cerca de meia hora, os dois grupos – brasileiro e turco – cantaram em uníssono pela democracia e pelos direitos civis.

Demonstration Brasilianer in Köln

Manifestantes lembram protestos no Brasil e na Turquia

A marcha brasileira foi aplaudida por alemães e turcos que assistiam à passeata. Comunidades brasileiras no exterior organizaram manifestações em mais de 40 cidades de 14 países.

Na Alemanha, além do protesto deste sábado, já ocorreram manifestações nas principais cidades do país – Berlim, Frankfurt, Hamburgo e Munique – com a presença de centenas de pessoas.

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