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Mundo

Protesto contra o "Charlie Hebdo" reúne 800 mil na Chechênia

Na capital Grózni, governo patrocina manifestação contra publicação de caricaturas de Maomé pelo jornal. "Estamos dispostos a morrer para impedir que desonrem o nome do profeta", diz presidente Ramzan Kadyrov.

Centenas de milhares de pessoas marcharam pelo centro da capital chechena Grózni nesta segunda-feira (19/01), segurando cartazes com frases do tipo "Tirem as mãos do nosso amado profeta" e entoando "Allahu Akbar" (Deus é grande).

Segundo o Ministério do Interior da Rússia, mais de 800 mil pessoas participaram da manifestação, patrocinada pelo governo e transmitida ao vivo pela televisão estatal.

"Este é um protesto contra aqueles que apoiam a publicação de caricaturas do profeta Maomé", disse à multidão o líder pró-Kremlin da região predominantemente muçulmana, Ramzan Kadyrov. "Se for necessário, estamos dispostos a morrer para deter qualquer um que pense que pode irresponsavelmente desonrar o nome do profeta", acrescentou o presidente.

Uma caricatura de Maomé voltou a ser publicada pelo semanário satírico francês Charlie Hebdo na semana passada, dias depois de um atentado na sede da publicação, em Paris, deixou 12 pessoas mortas. Os autores afirmaram que o ataque foi para vingar o profeta, estampado várias vezes em edições anteriores.
Kadyrov criticou o governo francês por autorizar a publicação das caricaturas e condenou outras publicações que as reproduziram.

"Vemos como jornalistas e políticos europeus, sob falsos slogans sobre a liberdade de expressão e a democracia, proclamam a liberdade de ser vulgar, rude e insultar sentimentos religiosos de centenas de milhões de fiéis", disse. "Nunca vamos permitir que ninguém fique impune por insultar o nome do profeta e nossa religião."

O protesto de Grózni foi o mais recente de uma série

manifestações em países muçulmanos

contra as charges do Charlie Hebdo. Aproximadamente 15 mil pessoas participaram de uma marcha similar na república russa vizinha da Inguchétia neste fim de semana.

Ao mesmo tempo em que o Kremlin ofereceu suas condolências à França depois dos recentes atentados, várias publicações russas foram advertidas contra a reimpressão das caricaturas de Maomé.

PV/rtr/afp/ap

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