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Ciência e Saúde

Protegendo o clima em supermercados sul-africanos

Refrigeradores em supermercados causam um duplo impacto no clima: eles consomem muita energia e funcionam com gases extremamente prejudiciais. Há porém alternativas sustentáveis, como mostra um exemplo na África do Sul.

Quando o gerente de supermercado Thomas Knopp apresenta seu novo refrigerador a visitantes, se orgulha: "É realmente muito inovador. Os nossos dois sistemas de refrigeração trabalham agora com gases naturais, não mais com produtos artificiais, químicos, somente com gases da natureza."

A área de atuação de Knopp fica na Cidade do Cabo, na África do Sul. Na rede de supermercados Pick n Pay, para a qual Knopp trabalha, duas filiais foram equipadas com refrigeradores modernos e ecológicos. Eles utilizam dióxido de carbono como gás refrigerante e não os chamados gases fluorados, comuns em quase todos os outros supermercados.

Dióxido de carbono – CO2 – é amplamente considerado um gás prejudicial, causador do efeito estufa. Como ele pode de repente se tornar um refrigerante ecológico? O que à primeira vista parece um paradoxo, é na opinião de especialistas a tecnologia do futuro para supermercados modernos. O CO2 é um gás retirado do ciclo natural do carbono, ou seja, não aumenta a quantidade de CO2 na atmosfera. Como refrigerante, ele é carbono neutro.

Os tradicionais gases fluorados são, pelo contrário, gases refrigerantes fabricados artificialmente. Seu impacto no clima é determinado pelos cientistas com o chamado Potencial de Aquecimento Global (GWP, na sigla em inglês).

Dependendo do gás, o valor GWP dos gases fluorados é de 100 a 4 mil vezes mais alto do que o do CO2. O Greenpeace coloca desta forma: 300 gramas de hidroclorofluorocarbono (HCFC) correspondem à quantidade de CO2 liberada por um Volkswagen Golf em uma viagem de Londres a Moscou.

Protocolo de Montreal

Ainda que o clorofluorcarbono (CFC) tenha sido proibido pelo Protocolo de Montreal em 1987, nos países em desenvolvimento foi concedido um longo período de adaptação. O prazo terminou no início de 2012. Nos países desenvolvidos, o CFC foi substituído por outros refrigerantes artificiais, que não prejudicam a camada de ozônio, mas continuam sendo potentes causadores do efeito estufa. Ainda hoje os gases fluorados continuam sendo padrão em supermercados, até em países industrializados.

Um dos problemas com os refrigeradores que levam gases fluorados é o vazamento. Ele leva a emissões indesejadas de gases refrigerantes. Knopp vivia encontrando vazamentos em suas antigas instalações na Cidade do Cabo. "Com o sistema antigo chega a vazar até 30% do gás refrigerante. Havia buracos por todos os lados, nos tubos, mas também nos refrigeradores. E no momento não temos mais nenhum vazamento", diz ele.

Equipamentos de refrigeração que trabalham à base de CO2 precisam resistir a uma pressão muito maior do que os refrigeradores tradicionais. Por isso os aparelhos modernos são de melhor qualidade e duráveis. Isso economiza não apenas gás refrigerante, por evitar os vazamentos, mas reduz também o consumo de energia desses equipamentos. Knopp estima a economia em cerca de 25%.

A desvantagem: a alta qualidade do acabamento é cara. Essa é a razão pela qual a técnica de refrigeração com CO2 não é implantada de vez. As redes de supermercado fogem do investimento relativamente alto.

Oportunidade para países em desenvovimento

A refrigeração à base de CO2 oferece mais uma vantagem: ela permite um bom reaproveitamento de calor, para ser utilizado, por exemplo, no aquecimento da água. A técnica favorece não apenas a proteção do clima: é também um benefício econômico diante do alto preço da energia. Deve ser uma questão de tempo até que mais redes de supermercado adotem o CO2 como gás refrigerante.

Supermercados em países emergentes e em desenvolvimento têm a chance de aprender com os erros dos países industrializados no que se refere à instalação de novos refrigeradores: enquanto na última década os países desenvolvidos substituíram um gás nocivo por outro, supermercados como o Pick n Pay na África do Sul mostram como um gás causador do efeito estufa pode ser transformado em refrigerante ecológico.

Autores: Martin Schrader, Michael Wetzel (ff)
Revisão: Roselaine Wandscheer