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Mundo

Protecionismo compromete cúpula UE-América Latina

Morales anuncia mais estatizações em Viena, no início do encontro de 60 chefes de Estado e de governo da América Latina, Caribe e União Européia. Plassnik descarta avanços nas negociações UE-Mercosul.

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Morales ameaça com mais estatizações

As tendências protecionistas na Venezuela e na Bolívia ameaçam transformar-se numa prova de fogo para as relações entre a União Européia e a América Latina. Na abertura da cúpula de 60 chefes de Estado e de governo das duas regiões, nesta quinta-feira (11/05), em Viena, o presidente boliviano, Evo Morales, disse que seus planos de estatização não se restringem à exploração do gás natural.

"Não precisamos negociar ou dialogar, quando se trata de uma política que é uma decisão soberana do Estado", disse rebatendo críticas. Morales anunciou que pretende estatizar mais recursos minerais e desapropriar terras. "Vamos acabar com o latifúndio", disse.

Apesar da preocupação de empresas européias como as britânicas British Gas e BP, a francesa Total e a espanhola Repsoil YPF, atingidas pela estatização do gás, Morales garantiu que os investimentos estrangeiros são seguros, "enquanto respeitarem as leis bolivianas".

EU Lateinamerika Gipfel in Wien Ursula Plassnik

Plassnik descarta fechamento do acordo UE-Mercosul

A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Ursula Plassnik, que exerce a presidência rotativa do Conselho Europeu, disse que não é atribuição da Europa comentar os planos da Bolívia. "Decisivo é que haja segurança legal e um ambiente de confiança para a economia, o que é um tema central para os investidores", afirmou.

À semelhança de Morales, o presidente venezuelano Hugo Chávez nacionalizou grande parte da exploração de petróleo e ameaça criar um novo imposto para empresas estrangeiras.

Na tarde desta quinta-feira (11/05), os ministros das Relações Exteriores de 62 países (um terço dos membros da ONU) reuniram-se em Viena para discutir a parceria estratégica entre UE, América Latina e Caribe. À noite, ocorre a abertura oficial da cúpula dos chefes de Estado e de governo (Eulac).

Plassnik já adiantou que não espera progressos nas negociações entre União Européia e o Mercosul, iniciadas em 1999. Ele acrescentou que a UE mantém a mão estendida para a Comunidade Andina de Nações (CAN), mas que o bloco – em fase de esfacelamento – tem de esclarecer a sua composição e seu futuro.

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