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Alemanha

Proteção anticópia para seres humanos

As notícias de nascimento de dois bebês clonados — verdadeiras ou não — mobilizaram os políticos. Na Alemanha, os partidos preparam-se para um grande debate sobre a proibição da clonagem humana.

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Uma visão para a humanidade?

Num encontro a portas fechadas, neste fim de semana, a coalizão de governo vai tentar encontrar uma posição conjunta na importante questão da abrangência de uma proibição da clonagem humana. No momento, ainda existem algumas divergências entre os parceiros de coalizão no governo federal, o Partido Social Democrático (SPD) e o Verde, sendo que este último se aproxima mais da oposição democrata-cristã em sua avaliação.

A bancada conjunta das conservadoras CDU e CSU defende a proibição total de qualquer tipo de clonagem em todo o mundo e quer mover o governo a tomar uma clara posição neste sentido. Até agora, a Alemanha vem se empenhando internacionalmente pela proibição da clonagem reprodutiva, por não considerar realista a chance de imposição de uma proibição generalizada. Segundo a ministra da Pesquisa, Edelgard Bulmahn, dois terços dos países, entre os quais a China e a Grã-Bretanha, seriam contra a proibição da clonagem para fins terapêuticos.

Nos dois procedimentos, os primeiros passos são idênticos. Na clonagem terapêutica, porém, o embrião não é implantado no útero de uma mulher, para se desenvolver. Ele é criado apenas com a finalidade de fornecer células-tronco para a formação de novos tecidos. Defensores da técnica depositam grande esperança nas possibilidades que ela abre, por exemplo, para o transplante de tecidos e órgãos sem o perigo de rejeição por parte do organismo. Na Alemanha, a criação de embriões para a retirada de células-tronco é proibida pela lei de proteção ao embrião, mas realizar pesquisas com células-tronco importadas é permitido.

Limites claros por parte da ONU

Maria Böhmer, vice-líder da bancada da CDU/CSU, pleiteia um sinal claro por parte das Nações Unidas: "Uma proibição abrangente em todo o mundo selaria a necessidade de proteger a dignidade humana e seria um sinal da necessidade de busca de outros caminhos". Uma convenção da ONU estabeleceria limites claros para a pesquisa nos campos da biotecnologia e da genética, dai a sua importância.

"A questão é que nenhum embrião seja criado para a pesquisa. Isto seria uma instrumentalização", acentua Böhmer, que vê ainda outro motivo para uma proibição mundial. "Para poder criar embriões, é preciso ter óvulos. E para ter óvulos, é preciso retirá-los de mulheres. Isto nos coloca diante do grande problema ético de que as mulheres — possivelmente as mulheres do Terceiro Mundo — possam ser exploradas para o fornecimento de óvulos."

A bancada dos Verdes no Parlamento defende igualmente a proibição generalizada da clonagem humana. Seu vice-líder, Reinhard Loske, especializado em questões de genética, diz-se disposto a cooperar com a oposição nesta questão.

Nova tentativa em setembro

A Alemanha e a França já tentaram no ano passado, com uma iniciativa conjunta nas Nações Unidas, impor a clonagem reprodutiva. Mais de 40 países, porém, entre os quais os EUA, a Espanha e as Filipinas, defenderam também a proibição da clonagem terapêutica. Não houve um consenso na época, e o tema vai voltar a ser debatido na Assembléia Geral da ONU em setembro.

Os anúncios da seita dos raelianos sobre o nascimento de dois bebês clonados — para o s quais não foi apresentada até agora nenhuma prova — dá uma outra perspectiva ao debate. A Comissão Européia, órgão executivo da UE, está preparando um relatório sobre a clonagem humana para fins de fevereiro. E o governo da Alemanha pretende convocar para maio uma conferência internacional de especialistas, a fim de dar um embasamento científico ao debate sobre o assunto, declarou a ministra Bulmahn ao jornal Berliner Zeitung.

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