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Alemanha

Prossegue o drama dos imigrantes ilegais na costa espanhola

Na madrugada desta quinta-feira (1/8), pelo menos treze africanos morreram ao tentar atravessar a nado um trecho do estreito de Gibraltar, em direção à Espanha. A polícia não descarta um número ainda maior de vítimas.

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Imigrantes ilegais sendo socorridos ao tentar atingir as Ilhas Canárias, em junho último

Policiais espanhóis e funcionários da Cruz Vermelha recolheram os corpos de treze cidadãos africanos, que tentavam atingir a costa espanhola, provavelmente após um acidente de barco. Os cadáveres de nove homens e quatro mulheres – uma delas grávida – foram encontrados boiando na costa de Tarifa, uma pequena cidade no sul da Espanha.

Tráfico – A polícia espanhola supõe que o número de mortos possa ser ainda maior, uma vez que não foi esclarecido quando e onde o barco que transportava as vítimas deixou a costa africana. Acredita-se também que os traficantes possam ter obrigado as pessoas a nadarem de determinado ponto até à costa, com medo de serem surpreendidos pela polícia.

Os cadáveres foram levados para Algeciras, no sul da Espanha, onde estão enterrados dezenas de imigrantes ilegais, mortos diante da costa espanhola. Segundo uma estimativa da Associação dos Trabalhadores Marroquinos na Espanha (ATIME), mais de quatro mil pessoas morreram nos últimos cinco anos, tentando chegar à Espanha de forma ilegal, por via marítima. Em 2002, o fluxo de imigrantes diminuiu pela primeira vez na última década. Também o número de afogados sofreu uma redução, se comparado ao ano anterior.

Policiamento – Especialistas creditam o alto número de vítimas ao fato de o estreiro de Gibraltar ser extremamente vigiado pela polícia espanhola. Isso faz com que boa parte dos imigrantes tentem atingir as Ilhas Canárias navegando pelo Oceano Atlântico, enfrentando assim um trecho consideravelmente mais perigoso. Em fevereiro último, oito homens, uma mulher e uma criança morreram afogados no estreito de Gibraltar. Na última quarta-feira (30/7), 98 cidadãos africanos foram detidos pelas autoridades espanholas pouco antes de aportarem no país.

A ONU calcula que mais de três milhões de pessoas vivem ilegalmente nos países da UE. As estimativas da polícia comum européia, a Europol, registram um total de mais de meio milhão de ilegais entrando anualmente nos países do bloco.

Cerco – Considerando a ascensão da extrema direita na Europa, comprovada pelos resultados eleitorais na França, Holanda e Dinamarca, por exemplo, a questão da imigração deve continuar um assunto delicado entre a cúpula européia. Tanto os 15 países-membros da UE quanto os países candidatos à filiação defendem a criação de uma tropa multinacional, incumbida de vigiar as fronteiras externas.

Além disso, pretende-se formar uma guarda naval comum, encarregada de localizar imigrantes ilegais a bordo dos navios. O fato de a pobreza e a falta de perspectiva em outros países ser o motor que gera a imigração ilegal acaba relegado a segundo plano, frente aos planos de transformar a Europa numa fortaleza, cada vez menos acessível.