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Cidades

Projeto de 1968 ainda orienta expansão do metrô no Rio

Plano detalhado previa 55 estações até a década de 1990. Rio tem hoje 35 estações; projetos da Copa e Olimpíadas focaram em linhas de ônibus.

Em 1968, o Rio de Janeiro era apresentado a um plano que traçava um sistema de metrô para a cidade. O projeto foi assinado pela precursora da Deutsche Bahn, empresa ferroviária alemã, e deveria ser desenvolvido até 1990. A sua primeira parte previa uma linha prioritária com 22 estações entre Ipanema, na zona sul, e Tijuca, na zona norte. Posteriormente, outras 33 paradas ligariam o Méier a Jacarepaguá, e a Pavuna ao Largo do Carioca, - além de túnel submarino até Niteroi.

Quase cinco décadas depois, o plano não foi executado como previsto – das 55 estações propostas no plano de 1968, atualmente 36 estão em operação. A Uruguai, por exemplo, foi proposta para a década de 1990, mas inaugurada apenas em março deste ano.

"Faltou capacidade de investimento", justifica o fracasso do plano Rejane Micaelo, da Metrô Rio, que opera o serviço na cidade. Nesse meio tempo, a crise da mobilidade se agravou e deu à região metropolitana do Rio de Janeiro o título de um dos piores tráfegos do mundo, segundo um relatório da TomTom, empresa holandesa de tecnologia de transporte.

Brasilien Vorbereitungen für die Olympischen Spiele öffentlicher Verkehr

Transoeste liga a Barra da Tijuca a Santa Cruz e Campo Grande

Para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, os planejadores da cidade tentam desengavetar as ideias propostas pelos engenheiros em 1968 – com algumas adaptações. "Nada do que está sendo implantado agora para os evento é novo. São todos projetos que estavam emperrados há anos", afirma Rejane.

Até 2016, o poder público vai injetar 15 bilhões de reais no sistema de transporte da região metropolitana. "O duro vai ser depois de 2016. A gente espera que não haja de novo esse hiato de investimentos", confessa Waldir Peres, da Agência Metropolitana de Transporte Urbano. "Foram praticamente uns 20 anos com investimento nulo no sistema de transporte público por parte da prefeitura", calcula.

De volta à mesa

Os 15 bilhões de reais foram investidos na construção de corredores de ônibus, na compra de nove barcas e 19 trens. Ainda assim, o sistema carioca circula com 30 trens com idade média de 31 anos – um a mais que a média mundial. Além de mais rápidos e modernos, os trens novos são 30% mais eficientes em termos de consumo de energia.

Para os eventos esportivos, a primeira linha de BRT (Bus Rapid Transport) na cidade do Rio foi aberta em 2012: a Transoeste tem 32 quilômetros de extensão, liga Santa Cruz à Barra da Tijuca. A Transcarioca deve entrar em operação até 12 de junho, vai ligar o aeroporto internacional à Barra da Tijuca.

"A Bíblia"

A proposta dos engenheiros alemães de 1968 ainda guia a expansão do metrô do Rio. "Foi um estudo maravilhoso, detalhado, tenho o livro sobre a minha mesa", conta Waldir. A "bíblia", como a equipe costuma se referir ao projeto, ainda é fonte de consulta constante pelo corpo técnico.

Brasilien Vorbereitungen für die Olympischen Spiele öffentlicher Verkehr

Trens modernos são 30% mais eficientes em termos de consumo de energia que os antigos

O estudo incluiu ainda uma proposta tarifária semelhante ao atual modelo de bilhete único, projetou fatores de influência como uso do solo, população, emprego, matrícula escolar e renda - e calculou ainda o volume futuro de tráfego.

"Aquela projeção acertou quase tudo", confessa Waldir. O projeto só não conseguiu enxergar a Barra da Tijuca, que ainda vive um forte processo de expansão. A Agência Metropolitana de Transporte Urbano avalia agora a construção do trecho que liga a Gávea à região central. Por enquanto, ainda não há previsão de custos.

"Transporte público é coisa de Primeiro Mundo"

Em 2012, o sistema público de transporte da região metropolitana do Rio de Janeiro transportou 22,5 milhões de passageiros – em 2003 foram 19,9 milhões. "O futuro está no transporte metropolitano", opina Waldir.

O sistema atual em vigor de concessão do metrô prevê que as concessionárias sejam responsáveis pela operação e manutenção. "Investimento em expansão é feito pelo governo", complementa Rejane. "Não há equação que cubra investimento no metrô só com dinheiro pago pelos usuários."

Em países como Alemanha e França, a taxa paga pelo usuário cobre cerca de um terço do custo do sistema de transporte. O restante é coberto pelo Estado. "Transporte público é caro. É coisa de país rico", opina Waldir. No Brasil, o modelo é misto e o sistema do bilhete único cobre a maior parte dos custos.

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