Projeto da ″Grande Sociedade″ de Cameron sofre críticas no Reino Unido | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 13.11.2010
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Mundo

Projeto da "Grande Sociedade" de Cameron sofre críticas no Reino Unido

Violência que aflorou no Reino Unido durante os recentes protestos estudantis é somente um dos sintomas do mal-estar que as reformas orçamentárias promovidas pelo governo de David Cameron começaram a causar.

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David Cameron é líder dos conservadores britânicos

Com vista a reduzir o imenso déficit orçamentário do país, a administração do primeiro-ministro britânico, David Cameron, se propôs a executar os maiores cortes de gastos públicos desde a Segunda Guerra Mundial.

Cameron defende sua decisão, alegando que as duras medidas tomadas por seu governo não trarão somente benefícios palpáveis para a população britânica a médio prazo. Em sua opinião, ao reduzir o aparato estatal, elas devolverão o poder e a responsabilidade às comunidades e às organizações de voluntários.

"A Grande Sociedade" ( The Big Society) é o nome que Cameron e seus assessores deram ao seu programa de governo. A ideia que se pretende transmitir aos cidadãos se reduz à noção de que, quanto menor o Estado e menos peso tiver na vida pública britânica, maior será o papel exercido por cada um dos súditos da rainha.

Um grande indivíduo para uma grande sociedade. Muitas pessoas se mostraram receptivas à mensagem articulada por Cameron, mas o ceticismo se estende por todo o país.

O "grande engodo"?

As pesquisas de opinião mostram que a maioria dos eleitores aceitou a necessidade de redução do déficit orçamentário inédito em tempos de paz: ele ultrapassa 10% do Produto Interno Bruto (PIB), o que fez o governo britânico priorizar seu plano de austeridade.

Por outro lado, os primeiros a sentirem na própria pele os efeitos dos cortes orçamentários deixaram evidente sua rejeição à resposta encontrada para combater a crise. A violência que aflorou nos recentes protestos estudantis no Reino Unido é só uma das reações negativas.

O grupo liderado por Cameron está investindo todos os recursos possíveis em uma campanha para convencer a população de que sua participação é imprescindível, caso deseje que o projeto da "Grande Sociedade" funcione. Os trabalhadores voluntários, todavia, não digeriram de forma alguma o discurso governamental.

"Quando anunciaram pela primeira vez a ideia da 'Grande Sociedade', previ que se tratava, antes, do 'grande engodo'", comentou recentemente Barry Todman, um dos voluntários mais proeminentes do distrito de Sutton, no sul de Londres.

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Estudantes protestam na sede do Partido Conservador em Londres

Pessimismo se alastra

Todman assegura que o objetivo de Cameron e sua equipe – conseguir que os voluntários assumam o trabalho e as responsabilidades dos empregados públicos – fracassará. Além disso, já se nota uma notável redução do consumo interno, um fenômeno que irá agravar a situação da economia britânica em geral. Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira (12/11) apontou que a confiança do consumidor britânico caiu em outubro para o nível mais baixo desde março de 2009.

A preocupação diante do futuro se alastra rapidamente. Esse foi o contexto que levou os protestos pacíficos de estudantes britânicos durante a semana – em resposta ao anúncio de que o governo de Cameron permitiria às universidades triplicarem o valor de suas matrículas – a se transformarem inesperadamente em distúrbios violentos.

Poupando no lugar errado

O Instituto de Estudos Fiscais (IFS), uma organização de pesquisa macroeconômica independente, acirrou ainda mais a controvérsia nesta sexta-feira ao questionar se o aumento de preço das matrículas universitárias ajudaria a consolidar as finanças públicas. O argumento foi que o dinheiro que o governo economizaria ao não financiar as matrículas em questão teria que ser empregado para oferecer um maior número de créditos subsidiados aos estudantes.

O governo britânico procurou minimizar a importância dos distúrbios da última quarta-feira, mas é pouco provável que tenha conseguido dissipar o temor de que casos semelhantes venham a se repetir após a aplicação de outras medidas no contexto dos cortes de gastos públicos.

David Cameron condenou os incidentes violentos ocorridos durante o protesto estudantil e anunciou que atuará com "toda a dureza da lei" contra os agitadores. Durante os protestos, um policial quase perdeu a vida ao ser atingido por um extintor de incêndio lançado por um dos manifestantes do teto da sede ocupada do Partido Conservador, ao qual pertence o primeiro-ministro Cameron.

Autores: S. Beard / E. Romero-Castillo (ca)
Revisão: A. Valente

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