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Mundo

Projeto antidesperdício Fruta Feia ganha força em Portugal

Cooperativa evita descarte de 4 toneladas por semana de frutas e vegetais considerados "feios", mas de boa qualidade. Com financiamento da UE, iniciativa pretende criar mais postos de distribuição em Lisboa e pelo país.

"Gente bonita come fruta feia." Este é o slogan da cooperativa Fruta Feia, de Portugal. Com o objetivo de reduzir o desperdício de alimentos que não atendem a um padrão estético, a iniciativa sem fins lucrativos foi criada por consumidores portugueses em 2013 e recebeu recentemente um financiamento de 320 mil euros da União Europeia (UE).

A verba foi concedida ao projeto Flaw4Life, uma parceria da Fruta Feia com o Instituto Superior Técnico e a Câmara Municipal de Lisboa. O Flaw4Life é uma das 96 iniciativas ambientais às quais a UE concedeu financiamento neste mês, somando 160,6 milhões de euros.

O objetivo do projeto coordenado pela Fruta Feia é mudar o conceito dos consumidores em relação a frutas e vegetais considerados "feios", o que faz com que milhares de toneladas de alimentos parem no lixo a cada ano. Com o Flaw4Life, a cooperativa, que já funciona na capital Lisboa, pretende expandir suas atividades pelo país.

O projeto "Fruta Feia" tornou-se tão popular que está lutando para atender à demanda por frutas e vegetais que não são considerados "perfeitos". Cerca de 3 mil consumidores aguardam na lista de espera para se juntar ao cadastro dos atuais 800 associados.

Uma vasta rede de agricultores, coordenadores locais e consumidores está sendo criada para formar um mercado nacional alternativo para frutas e vegetais "feios" e aumentar o número de pontos de distribuição dos atuais três em Lisboa para dez em todo o país. A meta é reduzir o desperdício de 460 toneladas de alimentos por ano.

Projekt Fruta Feia

Consumidores buscam produtos em pontos de distribuição em Lisboa

Toneladas de "lixo"

A Fruta Feia funciona da seguinte forma: semanalmente, a cooperativa compra de produtores locais os produtos "imperfeitos" – que não são vendidos no mercado regular – e revende os alimentos, por cerca da metade do preço em relação ao de itens "perfeitos", diretamente para consumidores cadastrados. Estes buscam os produtos em pontos de entrega fixos.

Com o Flaw4Life, a cooperativa espera reproduzir, nacionalmente, o modelo já implementado em Lisboa, que começou há dois anos quando o primeiro furgão da Fruta Feia chegou à cidade, com 500 quilos do que os supermercados consideravam "lixo".

"Todos nos disseram que isso não funcionaria por causa do modelo de cooperativa, porque as pessoas teriam que ir a determinados pontos de entrega para comprar um produto que era considerado 'lixo'", diz Maria Canelhas, uma das quatro responsáveis pela Fruta Feia.

Passados dois anos, o furgão chega a Lisboa três vezes por semana e evita, semanalmente, o desperdício de 4,4 toneladas de "lixo". Canelhas conta que a equipe ficou animada ao receber o financiamento da Comissão Europeia.

"Não podíamos acreditar, porque não tínhamos a expectativa de ganhar esse financiamento. Nunca nos candidatamos a um programa de financiamento tão grande", afirma. "É realmente emocionante. Ele vai permitir uma expansão mais rápida do que estávamos esperando."

Ensinar crianças a apreciar frutas "feias"

Nos próximos seis meses, a Fruta Feia vai estabelecer mais dois pontos de entrega, na cidade do Porto – mais cedo do que o previsto, graças ao financiamento. A equipe, assim, será capaz de atender a uma demanda sempre crescente.

O projeto trabalha também junto à Câmara Municipal de Lisboa para realizar oficinas em escolas primárias e ensinar crianças sobre desperdício de alimentos, e por que não rejeitar uma fruta que não parece perfeita.

"As crianças são bastante receptivas à mensagem", comenta Canelhas. "Eles acham que frutas feias são bastante engraçadas."

De acordo com a Fruta Feia, cerca de 30% da comida produzida na Europa é jogada no lixo por simplesmente não se adequar a determinados padrões estéticos, apesar de ser saborosa e de boa qualidade.

Canelhas comemora o fato de iniciativas que promovem frutas e vegetais "feios" estarem ganhando força em todo o mundo. "Acho que um movimento realmente está se formando, porque estamos vendo várias iniciativas em diversas partes do mundo", conclui.

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