Projeto ajuda vítimas de tráfico humano na Espanha | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 27.10.2008
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Mundo

Projeto ajuda vítimas de tráfico humano na Espanha

Muitas prostitutas são escravas de traficantes humanos. Na Espanha, o Projeto Esperança já conseguiu auxiliar 450 a se libertar. E se bate por melhor proteção às que têm a coragem de denunciar seus exploradores.

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Para muitas, prostituição não foi opção

O tráfico de mulheres é um negócio lucrativo. Vindas, por exemplo, do Leste Europeu, muitas são atraídas para o Oeste com promessas de trabalho, estudo regular, casamento ou ocupação legal. Na maioria das vezes, seus documentos são tomados logo na chegada e elas são forçadas a trabalhar como prostitutas.

As que conseguem mais tarde libertar-se da prostituição forçada, confrontam-se com a questão: denunciar ou não? Pois os traficantes de mulheres usam de meios duros para desencorajar tal iniciativa. Na Espanha, a organização Proyecto Esperanza se bate por melhores condições para as mulheres que se decidem a depor contra os que as exploram.

Prostituição como escravidão

Prostitution in Deutschland

Bordel na Alemanha

Os "negócios" nos bordéis são geralmente ilegais e cruéis, afirma Marta González, advogada do projeto. A polícia espanhola calcula em 20 mil o número das prostitutas contra a vontade no país; o Esperanza conseguiu até agora ajudar 450 delas. "Muitas foram trazidas à Espanha para a prostituição forçada. Elas não têm como se decidir contra ou a favor: não têm dinheiro, nem como contatar suas famílias, não podem decidir quando trabalhar, nem escolher os clientes. É preciso que as pessoas saibam: muitas prostitutas são absolutamente escravizadas."

Quem passou por algo assim não gosta de falar do assunto. Entretanto, para que esses destinos venham a público, o projeto documentou uma série de conversas com vítimas. Sob o pseudônimo "Oxana", uma ucraniana de 20 anos relata sua experiência. Ela conheceu um rapaz num bate-papo de internet, ele a convidou para um café, à noite uma pizza.

"Assim como que por acaso, ele me sugeriu ir trabalhar na Espanha, lavar carros. Se uma amiga minha também quisesse, podia vir junto. A tia dele, que vivia há bastante tempo no país, poderia resolver as formalidades. Ele disse: 'Você paga para ela quando começar a trabalhar. Ela só quer ajudar'."

Terceiro mais lucrativo, depois de drogas e armas

Sklavenarbeit in Brasilien

Trabalho escravo nas lavouras do Brasil

Marta González acentua: tráfico humano não é o mesmo que imigração ilegal. Quem entra no país de forma irregular também pode ser explorado, mas tem sempre a possibilidade de decidir para quem e onde trabalhar. Tráfico humano não é, tampouco, sinônimo de prostituição, pois as vítimas são também exploradas na lavoura ou como domésticas. Porém, onde quer que trabalhem, os traficantes sempre lucram.

"Segundo as Nações Unidas, o tráfico humano é o negócio ilegal mais rentável, depois das drogas e das armas. Ele atinge a todos os países deste mundo, sejam de origem, trânsito ou destinação. Grande parte das mulheres vem do Leste da Europa. Conhecemos casos em que foram vendidas como mercadoria, com ganhos para o proprietário."

Pelo menos um final feliz

Desde 2000 a Espanha concede visto de permanência às vítimas de tráfico humano, caso colaborem com a Justiça no combate às quadrilhas. Porém a decisão de depor é difícil. Muitas vezes suas famílias, no país natal, ou elas mesmas, são colocadas sob ameaça. Se não depõem, são extraditadas como imigrantes ilegais. Uma emenda de lei anunciada pelo governo deverá aliviar sua situação, antecipa González.

"Agora as vítimas terão uma pausa para refletir. Durante 30 dias ficam sob proteção, podem decidir sem a ameaça de serem deportadas. Após este prazo, têm que resolver se denunciam os traficantes. Até hoje, isto não existia. Mas a Noruega, por exemplo, concede um prazo de reflexão de seis meses. Achamos que deveriam ser no mínimo três meses."

Oxana é uma das que decidiram agir. Um freguês a colocou em contato com o Proyecto Esperanza, ela recebeu abrigo seguro, apresentou queixa contra os exploradores. "Um dia, eu disse: chega, não agüento mais. Há um ano vivo em liberdade, uma vida normal, com o meu namorado, que me ama como sou. Queremos esquecer o que foi e pensar no futuro, fundar uma família."

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