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Esporte

Proibido falar português

O técnico do Hertha Berlim quer que os jogadores – entre eles, quatro brasileiros – se comuniquem apenas em alemão e acha que a Bundesliga deveria tê-lo como idioma obrigatório. Os demais clubes rejeitam a sugestão.

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Ordem partiu logo de um estrangeiro: o holandês Huub Stevens

Com 60% de sua equipe formada por estrangeiros, o técnico Huub Stevens baixou uma ordem inusitada no Hertha Berlim. Cansado do ambiente babilônico em que cada um fala sua língua, o holandês decretou o alemão como idioma obrigatório em todas as conversas entre jogadores e comissão técnica nos treinos, vestiários e jogos.

"O alemão é a partir de agora o idioma oficial. Todos os meus profissionais precisam se entender em si. Não quero que uns apenas falem português e outros holandês", anunciou Stevens na concentração do time berlinense em Belek, na Turquia, onde se prepara para o segundo turno do Campeonato Alemão. Sua declaração deixa claro que as conversas entre os brasileiros (Luizão, Marcelinho Paraíba, Alex Alves e Nenê), o português Roberto Pinto e o recém-chegado angolano Nando Rafael são o grande incômodo.

Alexandro Alves und Marcelinho tanzen Capoeira nach einem Tor

Alex Alves e Marcelinho têm de conversar agora em alemão

Para que todos levem a determinação a sério, o treinador dispensou a presença de intérpretes na concentração. Há seis meses no clube alemão, o campeão mundial Luizão só domina até agora algumas poucas palavras do "idioma oficial". E agora está proibido de tentar entender as orientações do técnico e comunicar-se com os colegas de equipe através dos conterrâneos.

E pode isso?

Poder pode, segundo o jurista Christoph Schickhardt. "O empregador tem o direito de estabelecer regras no local de trabalho. Se é preciso uma para a comunicação interna, ele pode obrigar seus empregados a segui-la", diz. A Liga Alemã de Futebol não concorda. "É claro que os jogadores facilitam suas próprias vidas se aprendem o idioma do país em que jogam. Mas não podemos prescrever isto", declarou Tom Bender, porta-voz da entidade.

Pelas cabeças dirigentes dos grandes clubes da Alemanha, nem passa a idéia de seguir o exemplo do Hertha. "Não vamos obrigar os jogadores a falar apenas um idioma oficial", reage o diretor do Borussia Dortmund Michael Zorc. O campeão alemão prefere ter paciência com os estrangeiros, por exemplo, os brasileiros. Se Dede e Evanílson já dominam o alemão com certa fluência, Amoroso comunica-se em italiano, idioma também falado pelo técnico Matthias Sammer, o capitão Stefan Reuter e o veterano Jörg Heinrich. "O entendimento está garantido", acredita Zorc.

Conversar em português é natural

No Bayern de Munique, Élber é um exemplo entre os brasileiros. Domina tão bem o idioma alemão que está sempre na mira dos repórteres do país para entrevistas. "Mas Élber e Zé Roberto sempre irão conversar entre si em português, também nos treinos. Isto não vai mudar nunca", avalia o porta-voz Markus Hörwick, deixando a entender que o fenômeno é natural.

"Não se pode exigir que os jogadores falem alemão. Caso contrário, não há comunicação", opina o técnico Klaus Toppmöller, do Bayer Leverkusen. Seu campeão mundial, o zagueiro Lúcio, vem aprendendo muito devagar o idioma, mas melhorando sempre. No entanto, ainda demonstra inibição em falar. "Ele sente vergonha da filha, que por freqüentar o jardim de infância fala melhor do que ele", revela Toppmöller.

A intermediação de professores de alemão ou mesmo a oferta de aulas dentro dos próprios clubes são tradições na Bundesliga. No Hansa Rostock, por exemplo, é o assessor de imprensa o responsável por ensinar o idioma aos jogadores estrangeiros. Até hoje, entretanto, ninguém ousou tornar obrigatória a comunicação em alemão. Os clubes sempre apostaram na autoconsciência dos jogadores de que aprender o idioma facilita suas vidas profissionais e pessoais. E assim como alguns percebem isto mais depressa, uns aprendem a língua com maior facilidade que outros.

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