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Alemanha

Proibição de manifestações em Dresden divide políticos

Segundo imprensa alemã, há quem considere decisão de cancelar protestos na capital da Saxônia "infeliz" e infundada. Polícia reitera necessidade de suspensão devido a ameaças.

A proibição de manifestações pró e contra o movimento "anti-islamização" Pegida em Dresden na segunda-feira (19/01) desagradou alguns políticos alemães, segundo reporta a imprensa do país.

De acordo com reportagens de emissoras de televisão e do jornal Süddeutsche Zeitung, fontes governamentais em Berlim disseram que a Saxônia, estado onde Dresden está localizada, deu à situação uma dimensão maior do que a necessária.

Um alto funcionário de segurança teria classificado o cancelamento de todas as manifestações na segunda-feira como uma "decisão infeliz". E o ex-presidente do Tribunal Constitucional Federal, Hans-Jürgen Papier, advertiu que a proibição de manifestações não pode ser uma "solução definitiva".

O Partido Verde também criticou a proibição das manifestações. Uma suspensão assim deve ser uma exceção, disse a líder do partido, Simone Peter, ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung.

"Nossa sociedade aberta não pode se curvar a ameaças de violência", afirmou. Ela pediu que polícia e autoridades garantissem um ambiente seguro para que o direito de protestar possa ser exercido a partir da semana que vem.

Numa reunião, o ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, teria dito haver indícios de uma ameaça de ataque terrorista na cidade, motivando a proibição. No entanto, ele não especificou se considerava a ameaça abstrata ou concreta.

Para Holger Schmidt, especialista em terrorismo da emissora pública alemã ARD, houve exagero na reação das autoridades de Dresden. Ele aponta que havia evidências de ameaças a manifestações do Pegida já antes dos atentados de Paris. Mesmo assim, afirma, tais manifestações aconteceram sem que tenha ocorrido qualquer coisa.

Merkel defende liberdade de protestar

O ministro do Interior da Saxônia, Markus Ulbig, também teria citado informações de um serviço de inteligência estrangeiro sobre uma possível tentativa de assassinar o líder do Pegida. De acordo com a mídia, não está claro, porém, qual é a origem dessa informação de inteligência.

O sindicato da polícia alemã defendeu a proibição desta segunda-feira em Dresden. "Não podemos divulgar todas as fontes de informação, mas a decisão foi absolutamente acertada", disse o líder sindical Rainer Wendt ao diário Passauer Neue Presse. No entanto, ele ressaltou que a proibição deveria ser uma exceção.

O especialista em terrorismo Andreas Armborst, da Universidade de Leeds, diz que a segurança total não é possível numa sociedade aberta. Segundo ele, é difícil se proteger contra atentados como os de Paris.

"Enquanto houver terroristas dispostos a praticar tais ações, eles vão sempre encontrar numa sociedade livre a possibilidade de executar um atentado", afirma Armborst.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, também destacou a importância do direito fundamental à liberdade de protestar. Este é um "bem precioso", que precisa ser protegido, argumentou.

PV/dpa/afp

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