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Globalização

Professora de Berlim caça plágio em escolas e universidades

"Copiar e colar" conteúdo da internet é uma técnica cada vez mais usada em escolas e universidades. Punição não assusta plagiadores. DW-WORLD.DE conversou com professora de Berlim especializada na caça de plágio.

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Debora Weber-Wulff, 'caçadora de plágio eletrônico'

No verão de 2001, Debora Weber-Wulff, professora de Mídia e Informática da Universidade de Ciências Aplicadas às áreas de Tecnologia e Economia, de Berlim, ofereceu aos seus alunos a opção de escreverem uma monografia em vez de realizarem uma prova final. Trinta e quatro estudantes optaram por essa alternativa.

Na hora da correção, Weber-Wulff encontrou em 12 trabalhos passagens copiadas literalmente sem menção da fonte. Um dos trabalhos tinha sido completamente copiado da internet, com apenas duas alterações: o nome e o sobrenome do autor. A partir daquele momento, ela decidiu se tornar "caçadora de plágio".

Uma tarefa nada fácil, uma vez que o conceito de plágio é bastante flexível. "Copiar de um só livro é plágio, de dois, é um ensaio, de três, uma compilação, e de quatro, uma dissertação", é uma das definições mais irônicas citadas por Weber-Wulff.

A "caçadora de plágio" costuma comparar o plágio a um homem atingido pela queda de cabelo. "Se ele tem cabelo, está claro que não é careca. Se ele não tem mais qualquer fio de cabelo, é óbvio que é um careca. Sobre todas as fases intermediárias, pode-se discutir."

Não há dados exatos sobre a difusão do plágio nas escolas e universidades alemães. Numa pesquisa realizada pela cientista política Sarah Knoop, na área de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Münster, a maioria dos estudantes entrevistados admitiu já ter "plagiado alguma vez via clique do mouse".

Wikipedia, fonte predileta dos plagiadores

Wikipedia

Conteúdos da Wikipedia são muito copiados

No entanto, não há provas de que o problema tenha se agravado com o advento da internet. "É impossível dizer se piorou ou melhorou, porque muitos plágios não são descobertos. Fato é que se tornou mais fácil para nós professores encontrar indícios de plágio. Assim como ficou mais fácil para os estudantes usar um arquivo por 'copy and paste', também nós podemos descobrir rapidamente fontes de plágio via busca no Google", explica Weber-Wulff.

Uma das fontes usadas com maior freqüência pelos plagiadores é a Wikipedia, que, na opinião de Weber-Wulf, não se presta sequer para citações, por não ser científica. Mais interessante do que a Wikipedia, do ponto de vista do plagiador, são bancos de dados que oferecem trabalhos escolares ou monografias completas.

Na internet de língua alemã, só o site www.hausarbeiten.de, por exemplo, oferece mais de 60 mil textos em mais de 400 disciplinas. "Eles podem ser citados, mas não devem ser plagiados", diz Weber-Wulff. Mas como muitos alunos e estudantes não mostram qualquer escrúpulo em copiar, é preciso controlar as citações, acrescenta.

Rechtschreibreform unter der Lupe

Plagiadores mudam verbos e adjetivos

Segundo Weber-Wulff, um indício de plágio pode ser a quebra de estilo no texto do aluno ou o uso de palavras complicadas. "Fora isso, basta pegar três a cinco substantivos que se encontram próximos na frase e buscar no Google. Porque o plagiador, em regra, troca adjetivos e verbos, mas teme tocar nos substantivos porque eles podem ter um significado importante", explica.

Detetive eletrônico

Um sinal de que o plágio está ganhando popularidade na era da internet é que já existem vários softwares para combatê-lo. Um desses programas, chamado "Plagiarism-Finder", promete descobrir em 30 minutos se um grupo de palavras ou um determinado texto está disponível na web. Esse software já teria sido instalado mais de mil vezes em escolas e universidades alemãs.

A Universidade de Bielefeld foi a primeira a recorrer a um "detetive eletrônico" em 2003. Ela usa o "Turnitin", um software canadense que compara automaticamente textos de trabalhos escolares ou acadêmicos com conteúdos disponíveis na internet e envia o resultado aos professores.

A Universidade de Hamburgo anunciou no final do ano passado a introdução do "Turnitin", depois de ter descoberto 320 casos de plágio nos últimos anos. Diante das críticas dos estudantes e de peritos em proteção de dados, a reitoria recuou e tornou apenas "voluntária" a submissão dos trabalhos ao controle do "detetive eletrônico".

Weber-Wulff não confia nesse tipo de detetive. "Esses softwares têm sérios problemas em reconhecer determinados plágios. Por exemplo, plágios feitos a partir de traduções ou textos copiados de bancos de dados freqüentemente não são descobertos. Eles sugerem uma precisão que não existe", argumenta.

Multa de até 50 mil euros

A professora de Berlim considera o plágio um "problema social" e sugere que as escolas e universidades instituam comissões de ética para combatê-lo. Até agora, na Alemanha, a punição de plagiadores varia de estado para estado.

Na Renânia do Norte, por exemplo, um estudante que plagiar seu trabalho de conclusão da graduação perde o diploma e está sujeito a pagar uma multa de até 50 mil euros. Mas nem isso parece assustar. Na Universidade da Bochum, uma estudante de Ciências Sociais foi flagrada no começo deste ano. O reitor anulou o diploma e aplicou-lhe uma multa de 10 mil euros. A estudante recorreu da punição.

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