Prisões secretas da CIA na Europa foram planejadas de Frankfurt, diz agente | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 15.08.2009
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Mundo

Prisões secretas da CIA na Europa foram planejadas de Frankfurt, diz agente

Acusações se baseiam em declarações do agente Kyle Foggo divulgadas no "New York Times". Foggo, coordenador da operação na Alemanha, confirma que prisões eram destinadas a suspeitos de terrorismo em trânsito para os EUA.

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Base aérea de Mihail Kogalniceanu, próxima a Bucareste, teria recebido aviões da CIA

O governo alemão está sendo alvo de severas críticas após a publicação de um relato pelo jornal New York Times na última sexta-feira (14/08), segundo o qual o planejamento, a construção e a vigilância de prisões secretas da CIA durante o governo Bush foram coordenados a partir do escritório da mesma em Frankfurt. Esse teria se tornado um dos principais centros de atuação da CIA após os atentados de 11 de setembro de 2001.

"Até agora, o governo alemão se recusou a dizer toda a verdade", criticou o suíço Dick Marty, encarregado pelo Conselho da Europa de investigar a existência de detenções secretas da CIA na Europa entre de 2005 e 2007. Para Marty, as declarações feitas ao jornal pelo agente Kyle Foggo, então chefe da unidade de Frankfurt, são apenas uma confirmação do que já se sabia.

No entanto, Marty alerta que continua sendo difícil descobrir toda a verdade sobre os suspeitos de terrorismo transportados pelo continente. No geral, os governos europeus não teriam "feito muito esforço" para esclarecer os procedimentos e garantir maior transparência. Nem o governo alemão nem a embaixada americana em Berlim quiseram se pronunciar sobre as declarações de Foggo.

Dick Marty, Abgeordneter des Europarats, in Straßburg

O suíço Dick Marty

Prisões planejadas de Frankfurt

Segundo o diário norte-americano, em março de 2003, Foggo foi encarregado da criação de três prisões secretas: uma numa região afastada do Marrocos, outra na capital romena, Bucareste, e uma terceira num outro país do antigo bloco comunista. Foggo solicitou apoio financeiro à CIA, contratou engenheiros e empresas-parceiras para a construção de três unidades absolutamente idênticas, a fim de causar desorientação aos detentos, caso fossem transportados de uma para outra.

Os móveis e equipamentos foram comprados em parte em supermercados comuns nos Estados Unidos, como Target e Wal-Mart. Apenas os materiais necessários para a construção dos bancos usados nas sessões de waterboarding (método de tortura que submete a vítima a um efeito de afogamento) foram adquiridos em mercados locais. As prisões eram de pequena dimensão, planejadas para receber, no máximo, seis detentos.

Primeiras declarações

Em novembro de 2004, Foggo foi promovido a diretor administrativo do serviço secreto, o terceiro cargo na hierarquia da CIA, o que causou espanto a muitas pessoas. Com tantos inimigos que fez em seu percurso, não demorou para surgirem acusações de nepotismo e corrupção, até que, em 2006, perdeu o posto, nem um ano e meio após tê-lo assumido.

No ano seguinte, Foggo foi condenado a três anos de prisão, divulgando agora essas informações ao New York Times. É a primeira vez que ele comenta sua atuação em Frankfurt, embora tenha se recusado a fornecer detalhes em diversas questões.

Sabine Müller/Rodrigo Rimon

Revisão: Simone Lopes

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