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Mundo

Prisão de brasileira não vai pôr fim a protestos na Rússia, diz Greenpeace

Bióloga gaúcha e demais ativistas seguem presos e à espera de acusações formais. ONG afirma que ação russa foi desproporcional e ameaça até recorrer a tribunal internacional.

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Guarda Costeira russa aborda os botes do Greenpeace quando ativistas tentavam entrar na plataforma

O Greenpeace considera inadequada a reação das autoridades russas e a consequente prisão de 30 ativistas, incluindo a bióloga gaúcha Ana Paula Alminhana Maciel, por realizarem um protesto numa plataforma petrolífera no Ártico. Mesmo assim, a organização promete não parar com as ações na Rússia.

Ana Paula, de 31 anos e que está no Greenpeace desde 2006, passou juntamente com os demais detidos por interrogatórios nesta quarta-feira (25/09) e aguarda, ainda, as acusações formais. Em entrevista à DW, Fabiana Alves, coordenadora da campanha de Clima e Energia da ONG no Brasil, diz que a organização pode até levar Moscou a um tribunal internacional.

"As prisões aleatórias não vão fazer com que nós desistamos de chamar a atenção do mundo para as explorações irresponsáveis no Ártico", afirma Fabiana Alves.

Deutsche Welle: Houve reação inadequada da Guarda Costeira da Rússia ao prender os 30 ativistas do Greenpeace?

Fabiana Alves: As detenções e a entrada em nosso navio ferem as leis internacionais, já que nós não estávamos em mar territorial russo e nós não permitimos o embarque da Polícia Federal russa em nosso navio. Nós estávamos em zona econômica exclusiva, quer dizer, onde navios internacionais têm liberdade para trafegar.

Quais são as expectativas do Greenpeace quanto aos ativistas presos na Rússia? Eles deverão ser processados?

As acusações contra os nossos ativistas ainda não foram feitas. No momento, os 30 ativistas estão passando por interrogatórios no comitê de investigação russo, e aguardamos as acusações formais. Ainda esperamos que nossos ativistas sejam libertados e possam voltar para suas casas o mais rápido possível.

Mas caso eles sejam mantidos presos, o Greenpeace poderá entrar com alguma medida num tribunal internacional?

O caso de acionar um tribunal internacional é só se o governo russo não der resposta jurídica para o processo. Então vamos continuar, com nossos advogados, a lutar contra as acusações dentro do território russo. Não podemos falar disso agora, já que temos que aguardar as acusações. Mas só levaremos [o caso] a um tribunal internacional se a Rússia se mostrar displicente quanto à questão.

Greenpeace Brasilien

A brasileira Ana Paula Maciel, detida desde sábado pelas autoridades russas

A reação da diplomacia brasileira vem sendo adequada?

O Itamaraty vem dando todo o suporte necessário a Ana Paula. Acredito que eles estão fazendo o que é necessário no momento em que estamos agora, que é de interrogatórios sem acusações formais. Nós esperamos que o governo russo tome a decisão certa, que é a de liberar os nossos ativistas, que estavam apenas fazendo um protesto pacifico.

Apesar da prisão dos ativistas, o Greenpeace pretende continuar com protestos na Rússia?

As prisões aleatórias não vão fazer com que nós desistamos de chamar a atenção do mundo para as explorações irresponsáveis no Ártico, inclusive no Ártico russo, para questões de mudanças climáticas e, principalmente, para o direito que qualquer indivíduo deve ter de protestar por aquilo que acredita.

Em entrevista nesta quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, comentou que a ação do Greenpeace colocou em risco a saúde e inclusive a vida dos trabalhadores da plataforma petrolífera...

Os ativistas não carregavam armas nem artefatos que pudessem prejudicar qualquer pessoa. Eles se aproximaram da plataforma com botes, e isso não oferecia nenhum perigo, já que a plataforma é inteiramente fechada, já que foi construída contra icebergs. Nosso navio [Arctic Sunrise] não chegou perto do limite que a lei russa pede para que não seja atravessado, que são de três milhas. Nós tínhamos dois escaladores treinados para subir na plataforma e abrir banners, apenas isso. Por isso que não havia justificativa para o uso de armas e de tiros, como aconteceu quando a Polícia Federal russa chegou.

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