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Mundo

Principal voz de oposição ao Kremlin se afinou em Yale

Para fugir da pecha de "preferido do Ocidente", Alexei Navalny, candidato a prefeito de Moscou, prefere evitar o assunto. Mas período na prestigiosa universidade americana poder ajudar a entender sua formação política.

Quando, em 8 de setembro, Moscou for às urnas para escolher um novo prefeito, um homem em especial nos Estados Unidos ficará atento aos resultados: Michael Cappello. Ele é diretor do Yale World Fellows Program, um programa da prestigiosa universidade americana que teve como bolsista Alexei Navalny, hoje o nome mais proeminente da oposição russa.

O blogueiro de 37 anos é o único opositor da história recente da política russa a ter formação nos EUA. Sua candidadura à prefeitura de Moscou é o ponto alto de sua carreira política e ganha força justo quando a relação entre os dois países atravessa um dos momentos de maior turbulência desde o fim da Guerra Fria.

"O Yale World Fellows Program está extremamente orgulhoso de chamá-lo de 'um de nós'", diz Capello à Deutsche Welle.

Segundo o americano, a universidade apoia a tentativa de Navalny de, em sua palavras, tornar a Rússia mais democrática. O opositor ganhou fama na política russa por sua luta contra corrupção na máquina estatal – e, quando, em 2010, decidiu se mudar por quatro meses de Moscou para New Haven, um dos principais motivos foi se aprimorar nesse sentido.

Na época, Navalny falou em "questão de sorte". "Devem ser cerca de mil candidatos para apenas 15 vagas", escreveu em seu blog. Mas não foi bem assim. Então, ele já era uma figura de relativo destaque da política russa, e sua candidatura teve a recomendação de nomes como Garri Kasparov, ex-campeão mundial de xadrez e um dos líderes da oposição.

Opositor nato

O Yale World Fellows Program existe desde 2002 e oferece bolsas nas áreas de filosofia, política internacional e economia. Entre os bolsistas-alvo estão políticos, empresários e jornalistas de várias partes do mundo. Pessoas cuja grande obra, como afirma Capello, "ainda está para acontecer".

"Já se tinha a sensação de que ele era um líder da oposição", conta o político alemão Sergey Lagodinsky, do Partido Verde, candidato nas eleições legislativas alemães de setembro e colega de Navalny em Yale. "Enquanto nós nos reunimos para conversar durante o intervalo, ele ia para o computador e escrevia em seu blog."

Blogger Alexej Nawalny an der US-Universität Yale 2010

A turma de Navalny (primeiro à esquerda) na universidade americana

Foi durante sua estada nos EUA que Navalny, por exemplo, denunciou como executivos da companhia estatal Transneft teriam desviado 4 bilhões de dólares de contratos para a construção de oleodutos na Sibéria.

"O que mais me impressionou em Alexei foi sua forma analítica de pensar", diz Michael Cappello. Ele considera a passagem pelos EUA teve um efeito positivo para o blogueiro, que tinha pouca experiência no exterior. "Ele conseguia ver o mundo de forma mais clara do que via de casa".

O blogueiro se posiciona como um "nacionalista moderado". Mas chegou a participar das chamadas "marchas russas", manifestações organizadas por extremistas de direita para protestar contra imigrantes – uma atitude controversa até hoje. Mais tarde, distanciou-se de tais ideias, embora ressaltando que, num Estado multinacional como a Rússia, o tema "não deveria ser tabu".

Condenação como obstáculo

Durante o período em Yale, segundo Lagodinsky, o tema não era tabu. Ele não concorda com algumas das ideias de Navalny, mas diz entender ele se descrever como conservador. Entre as promessas de campanha do blogueiro está, uma vez prefeito de Moscou, promover a introdução de visto para imigrantes da Ásia Central.

Embora importante, o período em Yale não é algo que Navalny goste de ostentar. No currículo que apresentou como candidato a prefeito de Moscou, por exemplo, a experiência é sequer mencionada. Entre os motivos, como especula a imprensa russa, estaria evitar vender uma imagem de "favorito do Ocidente".

Críticos acusam Navalny de, em Yale, buscar uma formação como "revolucionário", o que é rechaçado tanto pelo ex-colega Lagodinsky, quanto por Cappello. "Nós não ambicionamos apoiar uma troca no governo", se defende o diretor do programa de bolsas.

Navalny não foi o único da sua turma em Yale a se candidatar a prefeito quando voltou para casa. Em 2012, Marvin Rees tentou a prefeitura de Bristol, no Reino Unido, e foi o segundo mais votado. De acordo com as últimas sondagens, o blogueiro deve obter resultado similar, terminando provavelmente bem atrás de Sergei Sobyanin, que tenta a reeleição.

Mas mesmo que o improvável aconteça e Navalny consiga reverter a desvantagem, vencer a eleição não lhe garantiria a prefeitura de Moscou. Em julho passado, o blogueiro foi condenado a cinco anos de prisão por fraude e só está em liberdade porque o veredicto, amplamente criticado pela oposição e pelo Ocidente, ainda não está valendo. Uma vez eleito, ele provavelmente será barrado de exercer o cargo por conta do processo.

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