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Cultura

Principais aspectos da curadoria

Okwui Enwezor, primeiro curador não-europeu da mais renomada exposição de arte contemporânea internacional, destaca o papel da "documenta" como crítica social.

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A principal diferença da documenta 11 em relação à sua antecessora é a crítica explícita à tendência eurocêntrica e imperialista na apreciação das artes. A curadora da documenta X, Catherine David, se defendeu em 1997 de acusações de elitismo com a seguinte afirmação: "A documenta não é a ONU, não tendo, portanto, que levar em consideração todos os países do mundo". Já o americano de origem nigeriana Okwui Enwezor, o primeiro não-europeu a assumir a curadoria da mais renomada exposição de arte contemporânea internacional, ressalta que "a arte não está em casa numa única parte do mundo".

Interdisciplinaridade: reflexão e arte – A exposição realizada em Kassel de 8 de junho a 15 de setembro representa apenas a última etapa de um intenso processo de reflexão sobre diferentes aspectos político-culturais da realidade contemporânea. Intelectuais de todo o mundo debateram temas ligados ao pós-colonialismo, à crise da democracia e à globalização, em quatro plataformas de discussão, realizadas em diferentes continentes:

  1. A democracia como processo inacabado (Viena, março de 2001; Berlim, outubro de 2001)
  2. Experimentos com a verdade: sistemas jurídicos em transformação e processos de busca de verdade e de reconciliação (Nova Délhi, maio de 2001)
  3. Creolité e creolização (Santa Lúcia / Caribe, janeiro de 2002)
  4. Sob ocupação – Quatro cidades africanas: Freetown, Johanesburgo, Kinshasa, Lagos (Lagos, março de 2002)
  5. Exposição: Kassel (junho a setembro de 2002)

    Transnacionalidade – A exposição inclui 118 artistas de todos os continentes; entre eles, 40 da África, Ásia e América Latina, continentes sub-representados nas exposições anteriores.

    Para Enwezor, a proveniência dos artistas não é o que importa. Ao mesmo tempo, o curador não nomeou nenhum critério genérico para a seleção dos participantes, afirmando apenas que a exposição contém trabalhos de todas as gerações e de todos os gêneros, embora a fotografia, o vídeo e o filme sejam as artes mais representativas da mostra.

    Descentramento – "O Ocidente se tornou uma autoridade instrumentalizada nas artes. A maioria das exposições de arte contemporânea realizadas em todo o mundo seguem as normas do Ocidente", declarou Enwezor, tranqüilizando ao mesmo tempo os céticos que temiam a transformação da documenta numa exposição da África: "Não vai ser uma mostra etnológica".

    O foco político da documenta 11 é a crise após o fim do colonialismo. Segundo Enwezor, a exposição aborda a destruição de estruturas econômicas, sociais e culturais como conseqüência do imperialismo, além de questionar o lado obscuro da globalização. Resgatando um dos principais interesses dos estudos pós-coloniais, ela pretende questionar como identidade cultural e alteridade se manifestam na percepção da obra de arte.

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