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Cultura

Primo pobre do Oscar

Com uma embalagem que tenta imitar Hollywood, o Prêmio Europeu de Cinema celebra o espanhol Almodóvar e discute a urgência de trazer a sétima arte às salas de aula.

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Pedro Almodóvar, o vencedor do ano

2002 foi inegavelmente o ano do cinema europeu: vide os sucessos de público de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, O Pianista e Oito Mulheres, além dos filmes europeus vitoriosos em Cannes, Berlim e Veneza. Apesar disso, a premiação mais importante destinada ao cinema produzido na Europa continua parecendo um ensaio mal feito do Oscar norte-americano.

Negando a tradição? – Nascida como uma idéia da Academia Européia de Cinema – fundada há 15 anos por Ingmar Bergman e hoje dirigida por Wim Wenders –, a premiação nem sempre seguiu os moldes hollywoodianos. Intitulado Felix até 1996, o prêmio foi criado para celebrar o cinema independente: lembre-se de que um dos primeiros vencedores foi Não Matarás, de Krzysztof Kieslowski. As cerimônias de entrega de então eram encontros da elite do cinema europeu, realizados em locais pouco espetaculares como o pequeno Bar jeder Vernunft, em Berlim.

Mídia dá as costas – Hoje, 15 anos mais tarde, o Prêmio Internacional do Cinema Europeu adota a versão gala, imita o Oscar, pelo menos na forma, e acaba ofuscado pela falta de estrelas presentes. Em sua versão 2002, realizada no Teatro Dell’ Opera de Roma, nenhuma das "Oito Mulheres" contempladas com o prêmio de melhor atriz estiveram presentes. A mídia européia tampouco deu destaque ao evento. Se na Itália, sede da cerimônia, mal se sabia da entrega do prêmio, nem a TV alemã nem a francesa se deram ao trabalho de transmitir o "espetáculo".

A festa, logo, ficou por conta do grande vencedor do ano. O espanhol Pedro Almodóvar arrebatou diretamente três prêmios com seu Fale Com Ela: melhor filme, direção e roteiro. Seu protagonista Javier Camara levou o prêmio do público de melhor ator e a diva Victoria Abril foi homenageada pelo conjunto de sua carreira. A hora espanhola do cinema europeu, para consenso geral.

Investimento no futuro – Sob o título "Amanhã Será Tarde Demais", o prêmio de 2002 organizou ainda um debate sobre a educação em cinema nas escolas européias, numa irônica tentativa de "salvar o cinema europeu das mãos de Hollywood". Ao lado das campeãs Suécia e Inglaterra, onde professores recebem uma formação cinematográfica especial, destaca-se a Hungria, onde a partir de 2004 o cinema passará a ocupar uma cadeira especial para alunos a partir da sétima série.

Cinema de autor – A prova dos nove da premiação deste ano é, no entanto, a de que as verdadeiras estrelas do cinema europeu são seus diretores, ao contrário do glamour de Hollywood, fornecido pela personificação máxima de cada ator. Na terra de Pasolini, ficou mais uma vez explícito que o filme originado na Europa, apesar de muitos dos seus pesares, continua sobrevivendo graças aos pesos pesados da direção.

Enfim, percebe-se que apesar da imitação da embalagem, a diferença entre o circuito europeu e o do Oscar é e ainda será por muito tempo gritante. Note-se aqui a muitíssimo bem lembrada homenagem ao roteirista Tonino Guerra, por sua vida dedicada ao cinema. Guerra, o célebre colaborador de Antonioni, Tarkovski, Angelopoulos e muitos outros, encarna mais do que ninguém o conceito de um cinema europeu por excelência.

Aos 82 anos, o que pode ser considerado o maior roteirista do mundo, agradeceu a premiação inicialmente em russo. Estava cansado do inglês que dominava a sessão. Um aviso aos organizadores da festa de que a vontade de imitar o american way está mais que deslocada.

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