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Mundo

Primeiro-ministro do Mali renuncia após ser preso por soldados

Preso por ex-golpista, Cheick Modibo Diarra anuncia afastamento de seu governo, sem dar maiores justificativas. Indícios são de novo golpe militar, nove meses após queda de Touré. Líderes da UE manifestam preocupação.

O primeiro-ministro da República do Mali, Cheick Modibo Diarra, foi detido por soldados na madrugada desta terça-feira (11/12), segundo informações de seus funcionários. Os militares alegaram estar agindo sob o comando do capitão Amadou Haya Sanogo.

Fontes do governo relataram que cerca de 20 homens "demoliram" a porta da residência de Diarra em Bamako, capital do país da África Ocidental, tratando-o de forma "bastante brutal". Segundo seus familiares, ele se encontraria em prisão domiciliar, impossibilitado de "receber quem queira ou de ir aonde queira". Os soldados teriam levado Diarra para a guarnição de Kati, localizada nas cercanias de Bamako.

Sem maiores explicações

Pouco tempo depois, o premiê de 60 anos anunciou na TV estatal a sua renúncia. "Vocês, homens e mulheres, se preocupam com o futuro de nossa nação e almejam paz. Por esta razão, eu e todo o meu governo renunciamos a nossos cargos."

Sem oferecer mais justificativas para a decisão, o chefe de governo agradeceu a seus colaboradores e expressou a esperança de que "uma nova equipe" consiga cumprir sua tarefa. Consta que, naquela mesma noite, Diarra pretendia viajar para Paris, a fim de se submeter a um check-up médico.

As indicações são de que se trate de um golpe militar. Fontes das forças de segurança malinesas confirmaram o envolvimento do capitão Sanogo na prisão de Diarra. O militar já participara do golpe que, em 22 de março, derrubou Amadou Toumani Touré, presidente malinês no poder havia dez anos.

No vácuo de poder subsequente, rebeldes tuaregues e seus aliados islamistas conseguiram dominar todo o norte do país dentro de poucos dias. Sanogo, que tem a guarnição de Kati como base, se opunha à reivindicação de Diarra por uma intervenção contra os radicais islâmicos.

Soldat Militär Mali September 2012

Indícios são de segundo golpe militar no Mali num intervalo de nove meses

Plano de mobilização europeu para a crise

Nesta segunda-feira, os ministros do Exterior da União Europeia (UE) haviam aprovado em Bruxelas um "plano de mobilização" para auxiliar o Mali na crise que sucede o golpe militar contra Touré.

O plano prevê o envio de militares europeus para treinar as tropas malinesas, o que deveria ajudá-las a obter sucesso contra os rebeldes e garantir a segurança no país africano. Um porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, expressou esperança de que um novo chefe de governo seja nomeado em breve no Mali.

O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, mostrou-se "muito preocupado" com os últimos acontecimentos no Mali. "A prisão do primeiro-ministro Diarra e a renúncia do governo colocam em perigo a estabilização política do país", declarou em Berlim.

As ajudas prometidas só serão concedidas sob a condição que "o processo de restabelecimento da ordem constitucional no Mali seja levado a cabo de forma convincente". Só assim também haverá uma solução para a crise no norte do país, afirmou Westerwelle.

A UE pretende instalar seu quartel-general em Bamako e manter um centro de treinamento a nordeste da capital, com contingente de 200 a 250 capacitadores, de diversos países europeus. Ainda não está fixada uma data para o início da operação. A UE tem enfatizado repetidamente que não participará de uma intervenção militar direta no país da África Ocidental.

AV/afp,dpa,dapd,epd
Revisão: Francis França