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América Latina

Pressionado por outros blocos e acordos, Mercosul tenta recuperar espaço

UE se volta para o tratado de livre comércio com EUA, e Aliança do Pacífico surge como concorrente na América Latina. Apesar das dificuldades, especialistas veem grande interesse dos europeus pelo Mercosul.

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Kirchner e Rousseff comandam as duas maiores economias do Mercosul

Nesta terça-feira (29/07), em Caracas, a Venezuela passa a presidência rotatória do Mercosul para a Argentina. Depois de um país que enfrenta grandes protestos populares contra seu governo, assume outro à beira da insolvência técnica.

A instabilidade atual de ambos reflete a situação do Mercosul, do qual fazem parte também Brasil, Uruguai e Paraguai. "O Mercosul luta sobretudo para restaurar sua relevância regional e internacional", afirma o economista Roberto Bouzas, da Universidade de San Andrés, em Buenos Aires.

O bloco foi criado em 1991. Com cerca de 270 milhões de habitantes, é a maior união econômica da América do Sul. Além da integração política, seus membros iniciais queriam também avançar no comércio, eliminando gradualmente barreiras alfandegárias. E conseguiram: o comércio interno cresceu de forma constante durante os primeiros dez anos (gráfico abaixo).

Nessa fase começaram também as negociações de livre comércio com a União Europeia (UE). "O acordo com a Europa serviria para reforçar o papel do Mercosul no comércio mundial", lembra Bouzas. Hoje, a euforia inicial murchou. "Como mera união aduaneira, o Mercosul perdeu força. Hoje ele é sobretudo um fórum para intercâmbio diplomático." E no livre comércio com a UE, não houve avanços significativos nos últimos 15 anos.

Acordo a passos lentos

Mesmo assim, os membros do Mercosul estão intimamente ligados à União Europeia, do ponto de vista da economia. O comércio entre UE e Mercosul aumentou nos últimos anos. Desde 1999, os dois lados negociam a assinatura de um amplo acordo comercial. Ele deve incluir não só a troca de bens industriais e agrícolas, mas também serviços e propriedade intelectual.

"Tanto UE quanto Mercosul poderiam se beneficiar desse acordo", avalia Mark Heinzel, especialista em América Latina da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK). "O Mercosul é a quinta maior região econômica do mundo, o que é de considerável importância", ressalta. Ele avalia que o volume de comércio subiria imediatamente. "E isso é uma via de mão dupla. Bens vão fluir do Mercosul para a Europa e vice-versa."

A UE entra principalmente com os bens industriais, já os países do Mercosul, com matérias-primas de todos os tipos. As negociações de livre comércio já foram interrompidas várias vezes. Por um lado, por causa dos subsídios agrícolas europeus, que dificultam a entrada de produtos sul-americanos no mercado europeu. Por outro lado, porque acordos de livre comércio são politicamente controversos entre os governos de esquerda da Venezuela e Argentina.

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, disse em março que um acordo pode ser alcançado em breve. Heinzel diz não se surpreender que o Brasil pressione para que algo ocorra. "O Brasil exerce uma pressão muito grande sobre seus vizinhos", sublinha, observando que a maior economia do bloco vê com preocupação as negociações da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP), entre a UE e os EUA. "O Brasil teme ficar cada vez mais isolado comercialmente", diz Heinzel.

A Aliança do Pacífico é outro concorrente do Mercosul. A zona de livre comércio entre Chile, Colômbia, Peru e México está ganhando peso econômico na América Latina. Quase todos esses países também já assinaram acordos bilaterais de livre comércio com a UE. TTIP e Aliança do Pacífico criam uma situação difícil para o Brasil. Por um lado, o país precisa de novos mercados. Por outro, há no Mercosul o princípio de que não se deve negociar bilateralmente, mas apenas em bloco.

Na UE, atenção para os EUA

"Mas, mesmo que haja muitas outras opções de livre comércio, a UE ainda está muito interessada num acordo com os países do Mercosul", afirma Bouzas. "Atualmente fala-se pouco nisso, mas, por exemplo, a indústria automobilística europeia, com as suas filiais na região do Mercosul, está muito interessada."

Mesmo assim, as negociações entre a UE e o Mercosul quase não ganham atenção na Europa, onde a mídia destaca principalmente as negociações com os EUA. "A relação entre a UE e os Estados Unidos sempre foi intensa", observa Heinzel. "O Brasil está, para muitos, muito longe. A Argentina, mais longe ainda. A Venezuela está muito mais longe ainda. Enquanto muitos sequer sabem onde fica o Paraguai."

No entanto, os especialistas acham possível que logo podem ocorrer negociações bilaterais à parte entre a UE e o Brasil. Heinzel teme que isso possa abalar a estabilidade econômica na região. "Especialmente países como Argentina e Venezuela vão insistir em serem incluídos. Esses dois países dependem mais do Mercosul do que o Brasil."

Bouzas duvida que o acordo comercial entre a UE e o Mercosul tenha um sucesso repentino. "Penso que 15 anos de trabalho sem resultado significam uma de duas coisas: ou o acordo de livre comércio simplesmente não é viável, ou tem sido muito pouco discutido."

Em Caracas, os líderes sul-americanos não terão muito tempo para negociar. Pois a presidente argentina, Cristina Fernandez de Kirchner, tem que estar, no mais tardar, na quarta-feira de volta ao seu país. Nesse dia será decidido se a nação que preside o Mercosul ainda estará em condições de pagar suas contas.

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