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Eleições 2014

Pressionado por declarações contra os gays, Levy Fidelix se exalta em debate

Candidato é cobrado por suas polêmicas declarações contra os homossexuais e discute com Luciana Genro e Eduardo Jorge, que o acusam de homofobia e incitação ao ódio.

O candidato à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB) esteve no centro de uma das discussões mais fortes do debate exibido pela TV Globo nesta quinta-feira (02/10). Fidelix entrou num debate sobre temas comportamentais com os candidatos Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro (Psol). Eles pediram que Fidelix se desculpasse aos brasileiros por suas declarações sobre a comunidade LGBT no debate de segunda-feira, transmitido pela Record.

Na ocasião, o candidato do PRTB disse que "aparelho excretor não reproduz" e pregou que "a maioria enfrente a minoria gay". As frases tiveram enorme repercussão nas redes sociais, levando a hashtag "Levy, você é nojento" a ser o assunto mais comentado pelos brasileiros no Twitter. Diversos políticos e artistas repudiaram a fala de Fidelix, que está sendo processado, na Justiça, por uma série de organizações de defesa dos direitos LGBT. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pediu a cassação da sua candidatura. Luciana Genro e Eduardo Jorge entraram com uma representação contra Fidelix no Ministério Público, por homofobia e incitação ao ódio.

"Perdão aos brasileiros"

A discussão começou quando Eduardo Jorge, que, pelas regras do encontro poderia escolher com quem queria debater, escolheu Fidelix. Ele disse que o candidato havia agredido a população LGBT. "Eu proponho que o senhor peça perdão ao povo brasileiro", concluiu. Fidelix respondeu que o candidato do PV não tinha "moral" para lhe acusar. "Você, acima de tudo, propõe que os jovens consumam maconha, isso é crime. Isso é apologia ao crime. Ao aborto. Apologia ao crime. Está lá no Código Penal", retrucou Fidelix, em referência às bandeiras da legalização do aborto e das drogas, defendidas por Eduardo Jorge.

Visivelmente nervoso e exaltado, Fidelix disse que tinha direito a se expressar livremente. Eduardo Jorge respondeu que o candidato havia "envergonhado o Brasil". "Vamos nos encontrar na Justiça, quando o Ministério Público abrir o processo e o senhor for chamado, e nós seremos testemunhas", disse o verde. Ele também desafiou Fidelix a lhe processar, pela suposta apologia ao crime: "Faça e vamos ver na Justiça", concluiu.

Transtornado, Fidelix chamou o candidato verde de "cara" e continuou a acusá-lo. "Envergonha você, cara, porque você está praticando apologia a crimes, a jovens que estão indo para clínicas de abortos se matarem. Então vire sua boca para lá."

Holocausto

Logo em seguida ao confronto com Eduardo Jorge, Fidelix foi obrigado a fazer uma pergunta para Luciana, a única candidata disponível, que ainda não havia sido questionada. No debate anterior, foi justamente uma pergunta da candidata do PSOL que motivou as declarações polêmicas de Fidelix.

"A senhora mandou seu ex-marido me procurar para pedir que não fizesse pergunta [à candidata Marina] porque queria questioná-la sobre economia", afirmou. "Mas você veio para algo que não tínhamos apalavrado. Você será uma presidente sem palavra, também?", perguntou, em referência aos bastidores do debate anterior, na Record.

Luciana reforçou que o candidato deveria "pedir perdão" e defendeu a criminalização da homofobia. "Estamos lutando na Câmara Federal para que para que pessoas que façam discursos como o teu saiam algemadas, e era assim que tu deveria ter saído do debate, algemado diretamente para a prisão", afirmou. A candidata do Psol disse que Fidelix "apavorou, chocou, ofendeu e humilhou" milhares de pessoas com o seu discurso.

"Tu incitou o direito de uma suposta maioria enfrentar uma minoria. Isso já no passado aconteceu e resultou nos mais diversos tipos de genocídio, resultou no Holocausto, Levi. O teu discurso de ódio é o mesmo discurso que os nazistas fizeram contra os judeus."

Fidelix negou a acusação e ressaltou que era seu direito "defender a família" e ter uma "expressão cristã". "Em nenhum momento pedi para que as pessoas atacassem alguém”, rebateu. Luciana argumentou que a religião não justificava o discurso de ódio e protestou pela suspensão do chamado kit gay. Em 2011, a presidente Dilma Rousseff vetou o material anti-homofobia, que seria distribuído pelo Ministério da Educação na rede pública de ensino.

"Por pressão da bancada fundamentalista no Congresso Nacional, ela [Dilma] desistiu de levar para dentro das escolas o debate contra a homofobia, para que não tenhamos mais adultos como o senhor Fidelix, e sim crianças que tenham a educação para a tolerância e não-discriminação."

"Eu estudei você, tá bem?"

Em outra oportunidade, Fidelix novamente escolheu Luciana. O tema sorteado era descriminalização das drogas. "Você esteve em Cuba, esteve na Venezuela, e treinou muito lá guerrilha. Sim, falando muito bom espanhol, posou lá com a estátua do Che Guevara, eu vi sua história, estudei você, tá bem?", disse o candidato do PRTB.

Luciana defendeu a descriminalização das drogas e a desmilitarização da polícia. Fidelix retrucou: "Não adianta vir dar uma de mocinha porque está incitando o jovem a consumir mais drogas, está fazendo apologia". O candidato do PRTB novamente mencionou a polêmica com os gays. "Exijo respeito, nunca tive um processo na minha vida", protestou.

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