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América Latina

Presidente eleito Cartes é um dos homens mais ricos do Paraguai

Rivais políticos alegam que fortuna veio através do narcotráfico e lavagem de dinheiro. Horacio Cartes iniciou carreira política há quatro anos. Entre seus desafios: reinserir Paraguai no Mercosul e diminuir a pobreza.

Eleito presidente paraguaio neste domingo (21/04), Horacio Cartes é um novato na política. Ao mesmo tempo que é dono de uma das maiores fortunas do país, seus rivais políticos o acusam de ter vínculos com o narcotráfico e a lavagem de dinheiro.

"As acusações de campanha não são corretas. Eu, pessoalmente, estou muito tranquilo", disse Cartes. Com 56 anos, ele é proprietário da maior fábrica de cigarros do país, de um banco e de uma empresa de bebidas, entre outros negócios, além de ser acionista majoritário de cerca de 25 empresas.

"Ele deve continuar a política realizada pelos Colorados, que tradicionalmente defendem os interesses da população mais rica e da oligarquia do país. O interesse dos mais pobres deverá ser atendido através da execução de programas sociais, mas não vai haver tentativa de resolver as verdadeiras causas dos problemas", afirmou Cordula Tibi Weber, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), em Hamburgo.

Paraguay Wahlkampf 2013 Efrain Alegre

Cartes obteve 45,91% dos votos contra 36,84% do concorrente Efraín Alegre (foto)

Cartes nasceu em Assunção e estudou em três colégios conhecidos da capital. Já aos 19 anos, ele se dedicava aos negócios e gerenciava a importação de peças de reposição para aeronaves da fabricante norte-americana Cessna, que seu pai representava no Paraguai. Nos Estados Unidos, ele fez um curso técnico de motores de aviação.

No entanto, sua carreira de êxito contrasta com as numerosas denúncias sobre supostas atividades ilícitas de suas empresas. O empresário, por exemplo, foi considerado inocente nas três instâncias de um processo judicial por evasão de divisas, iniciado durante a ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989), quando estava à frente de uma casa de câmbio.

"Sempre se diz no Paraguai que a classe política tem ligações com negócios ilegais. Acho preocupante o presidente ter recebido acusações desse tipo", frisou Tibi Weber, do Giga.

De novato a candidato à presidente

Fumante, separado e pai de três filhos, Cartes se opõe ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele disse que "daria um tiro em seus testículos" se seu filho quisesse se casar com outro homem.

"Ainda acredito na normalidade e se alguém opta, bem, cada um faz o que quer com sua vida. Mas levar a situação como normal... me parece que aí já vou começar a acreditar no fim do mundo", disse Cartes numa entrevista, pouco antes das eleições. Essas e outras declarações geraram repúdio de organizações que combatem a homofobia.

Cartes iniciou sua carreira política há apenas quatro anos, quando seu partido, o Colorado, ficou de fora do governo paraguaio depois de seis décadas, com a eleição do esquerdista Fernando Lugo. Até então, o empresário nunca havia participado da política.

Em tempo recorde, filiou-se ao partido, fundou o movimento Honra Colorado (HC) – em alusão às iniciais do seu nome – e conquistou o apoio dos principais líderes para modificar o estatuto que impedia a sua candidatura, exigindo que o postulante a presidente tivesse mais de cinco anos de filiação ao partido. Depois, ganhou facilmente as eleições internas e há poucos meses se converteu em presidenciável.

Paraguay Ex Präsident Fernando Lugo

Mercosul afastou Paraguai após Lugo (foto) ser destituído do cargo de presidente

Cartes foi, ainda, presidente do clube de futebol Libertad e levou o time à elite do futebol local – o que trouxe muita popularidade para sua candidatura. Ele também trabalhou como coordenador das seleções nacionais da Associação Paraguaia de Futebol (APF).

Muitos de seus seguidores creem que ele poderá replicar, na administração do país, o êxito de suas empresas e do seu histórico. "Otimizar o governo paraguaio é uma tarefa extremamente difícil, pois a corrupção é altamente difundida e está em vários setores da administração e da economia. É uma tarefa que pode durar décadas", afirmou Tibi Weber, do Giga.

Desafios

O novo presidente deve tentar reinserir o país em alguns fóruns, principalmente o Mercosul – bloco vital para o desenvolvimento da pequena economia do país –, uma vez que o Paraguai foi suspenso a partir da destituição do ex-presidente Lugo.

Cartes afirmou no domingo que sua equipe já iniciou contato com os países da região e que há uma boa pré-disposição por parte de seus vizinhos para o levantamento da sanção.

No contexto interno, o próximo governo terá como desafio estender a bonança econômica concentrada no setor agropecuário – que vem alavancando a economia do país – com políticas para a aliviar a pobreza, que afeta quase 40% da população paraguaia.

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