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Esporte

Presidente do Bayern de Munique envolvido em sonegação fiscal

Uli Hoeness apresentou autodenúncia para escapar de processo por sonegação de impostos. Ele era conhecido na Alemanha pela defesa de valores morais e pelo seu engajamento social.

Um caso particular de evasão fiscal ganhou destaque entre a opinião pública alemã desde que foi revelado, no último sábado (20/04). Uli Hoeness, presidente do gigante do futebol alemão Bayern de Munique, omitiu milhões de euros das autoridades fiscais alemãs por meio de uma conta secreta na Suíça.

Segundo a edição desta segunda-feira da revista alemã Focus, em janeiro deste ano Hoeness teria se autodenunciado à receita federal alemã e, desde então, vem trabalhando com as autoridades fiscais da Baviera para esclarecer o caso.

Conforme a revista alemã, promotores públicos de Munique abriram investigação sobre o dirigente esportivo de 61 anos. A revista Focus, cujo editor Helmut Markwort pertence ao conselho administrativo do Bayern de Munique, cita declarações do promotor-geral Ken Heidenreich e do próprio Hoeness.

A Focus menciona uma declaração escrita que Hoeness teria entregue à revista. "Em janeiro, através do meu contador, eu entreguei uma autodenúncia às autoridades fiscais", declarou Hoeness, acrescendo que a autodenúncia estaria ligada à uma conta dele na Suíça.

A autodenúncia possibilita a sonegadores livrar-se de um processo judicial e pagar multas mais brandas. No entanto, todas as contas irregulares precisam ser apontadas e a denúncia deve ser encaminhada quando o fisco ainda não sabe de nada.

Valor envolvido é desconhecido

Tanto os promotores quanto Uli Hoeness se recusaram a divulgar as quantias envolvidas. No entanto, sem mencionar fontes, o jornal Bild informou que Hoeness já teria pagado aproximadamente 6 milhões de euros ao fisco do país. O jornal Süddeutsche Zeitung fala em 3 milhões de euros.

Conforme o jornal, o dinheiro depositado na conta suíça era "limpo", ou seja, Hoeness havia pagado os impostos sobre ele. Porém, o dirigente teria omitido do fisco alemão os ganhos que obteve investindo esse dinheiro, e sobre os quais também incidem impostos.

Segundo a Focus, Hoeness, que também recebe dinheiro de uma fábrica de salsichas da qual é cofundador, declarou que pretendia, inicialmente, resolver o caso através do acordo fiscal entre a Alemanha e a Suíça, proposto pelos partidos da coalizão conservadora de governo em Berlim.

O acordo permitiria aos sonegadores alemães acertarem suas contas com o fisco sem temer um processo judicial e mantendo o anonimato, mas foi barrado no Bundesrat, câmara alta do Parlamento alemão, pelos partidos da oposição no final do ano passado. Sem acordo, Hoeness disse que optou pela autodenúncia.

Um dia antes de o recém-coroado campeão da Bundesliga receber o Barcelona na semifinal da Liga dos Campeões, o presidente do clube disse ao Süddeutsche Zeitung que, "no momento, não posso dizer nada, já que eu me encontro num processo em andamento". Hoeness ainda afirmou: "Os senhores podem imaginar que tenho muito a dizer, mas primeiro tenho que fazer meu dever de casa junto às autoridades."

Liga dos Campeões

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Jupp Heynckes (e): para treinador, questão privada não afeta equipe

Com o atual caso de sonegação fiscal, Hoeness cria um problema para seu clube justamente numa temporada em que a equipe pretende ganhar três troféus – Bundesliga (o campeonato de primeira divisão do futebol alemão), Copa da Alemanha (a segunda disputa mais importante do país) e a renomada Liga dos Campeões – e coroar a carreira de seu presidente.

Para o treinador do Bayern de Munique, Jupp Heynckes, a "questão privada" do presidente do clube teria vindo num momento bastante inoportuno, mas não deverá ter nenhuma influência sobre o jogo do Bayern contra o Barcelona pela Liga dos Campeões, nesta terça-feira (23/04). "É uma bobagem ligar o caso ao jogo contr o Barcelona", disse Heynckes neste domingo à emissora de TV Sport 1.

No plano político, a chanceler federal Angela Merkel se distanciou do presidente do Bayern de Munique. O porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, disse que a chanceler está entre as pessoas que estão decepcionadas com Hoeness e que essa decepção é "ainda maior porque se trata de uma pessoa que representa muitas coisas positivas", como o engajamento de Hoeness com questões sociais ligadas à integração de estrangeiros na Alemanha.

Tais conquistas positivas permanecem, mas acrescentou-se uma faceta negativa à personalidade de Hoeness, disse Seibert.

O governador da Baviera, Horst Seehofer, declarou ao jornal bávaro Abendzeitung que já sabia do caso há algum tempo. "Agora cabe à Justiça e às autoridades fiscais cuidar do caso." Em viagem oficial a Washington, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, absteve-se de fazer qualquer observação. "Qualquer comentário de minha parte seria errôneo", declarou.

À revista online Sport Bild Plus, Hoeness declarou que descarta renunciar ao seu cargo de presidente do principal time do futebol alemão.

Repercussão na Suíça

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Uli Hoeness disse que não pretende renunciar ao cargo

A opinião pública suíça está dando muita atenção ao caso de sonegação fiscal do presidente do Bayern de Munique. Políticos e banqueiros, todavia, mostram-se bastante reticentes quanto a comentar a autodenúncia apresentada por Hoeness devido à conta secreta num banco suíço. Mas a mídia do país não poupa críticas ao presidente do Bayern.

Dessa forma, nesta segunda-feira, o jornal Blick apontou que Hoeness sempre se mostrou como "uma instância moral" e nunca se absteve de criticar duramente outras pessoas. "Agora a fachada de Hoeness caiu", e ele terá de se explicar e mostrar a transparência que antes exigia dos outros, escreveu o jornal.

CA/dpa/afp/rtr

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