Presidente da Tunísia cede à pressão popular e deixa o governo | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 14.01.2011
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Mundo

Presidente da Tunísia cede à pressão popular e deixa o governo

Após semanas de violentos protestos, presidente Ben Ali dissolve o governo, declara estado de emergência e deixa o país. Primeiro-ministro assume o governo interinamente.

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Protestos surtiram efeito

Depois de várias semanas de violentos protestos na Tunísia, a televisão estatal anunciou nesta sexta-feira (14/1) que o presidente Zine El Abidine Ben Ali dissolveu o governo e anunciou eleições parlamentares dentro de seis meses.

O primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi teria sido incumbido de compor uma nova equipe de governo. Em um pronunciamento na televisão, Ghannouchi afirmou que assume o governo interinamente, com o apoio do exército. Bem Ali já teria deixado o país.

As manifestações, iniciadas como protestos contra o desemprego, altos preços, repressão e corrupção, foram se transformando em revolta popular. Na tarde desta sexta-feira, Ben Ali havia declarado estado de emergência em todo o país e toque de recolher.

Espaço aéreo bloqueado

Tunesischer Präsident Zine El-Abidine Ben Ali

Ben Ali deixa o governo após 23 anos no poder

O espaço aéreo foi bloqueado logo após a decretação de estado de emergência, e o exército assumiu o controle sobre o aeroporto de Túnis.

Durante protestos nesta sexta-feira no centro da capital, cerca de oito mil pessoas se reuniram para pedir a renúncia imediata do presidente. Após as manifestações pacíficas da manhã, nesta tarde as ruas de Túnis foram dominadas pelo caos. Manifestantes jogavam pedras na polícia, forças de segurança disparavam granadas de gás lacrimogêneo contra populares, para impedir que as pessoas invadissem o Ministério do Interior.

Os manifestantes cantaram o hino nacional da Tunísia e estenderam seus punhos no ar. Alguns subiram no telhado do Ministério do Interior, considerado símbolo do regime autoritário.

Informações desencontradas

Não há informações sobre o número exato de vítimas dos protestos. Segundo dados oficiais, foram contabilizados 23 mortos nos distúrbios. A oposição, entretanto, acredita ter havido mais de 60 mortes.

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Manifestações provocaram dezenas de mortos

Devido aos piores distúrbios desde a sua tomada do poder, há 23 anos, na quinta-feira Ben Ali disse estar disposto a fazer concessões. Em pronunciamento transmitido pela TV, ele garantiu que não ia concorrer à reeleição, depois do fim de seu mandato, em 2014, e também anunciou reduções de preços de produtos alimentares básicos e prometeu uma abertura do sistema político, incluindo um relaxamento da censura na internet.

Ben Ali anunciara também estar disposto a abrir mão da violência policial contra os cidadãos. "Não vou tolerar o derramamento de mais uma gota de sangue”, disse o presidente.

Europa preocupada

Na Europa, os acontecimentos são observados com preocupação. Ben Ali foi um dos poucos líderes regionais que conseguiram diminuir à insignificância o poder das forças radicais islâmicas. Também em termos econômicos, a Tunísia se firmou como um modelo regional, além de ser um popular destino turístico no norte da África.

A Tunísia era até agora considerada um dos mais estáveis países do norte da África. Ben Ali governou o país com mão de ferro por 23 anos, depois de chegar ao poder através de um sangrento golpe de Estado. Muitos criticavam o governo como corrupto e intolerante.

MD/rtrs/dapd/dpa
Revisão: Roselaine Wandscheer

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