Presidente da Síria diz que intervenção causaria um ″terremoto″ no país | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 30.10.2011
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Mundo

Presidente da Síria diz que intervenção causaria um "terremoto" no país

Sob pressão internacional devido à violenta repressão aos protestos contra seu regime, Bashar al-Assad diz a líderes ocidentais que país pode virar um "outro Afeganistão". Os confrontos já deixaram três mil mortos.

Protestos pedem o fim do regime de Bashar al-Assad

Protestos pedem o fim do regime de Bashar al-Assad

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, afirmou que as autoridades ocidentais poderão desencadear um "terremoto" no Oriente Médio, caso decidam intervir no país. Manifestantes têm pedido atuação estrangeira em território sírio após a morte de milhares de pessoas, ocorridas nos últimos sete meses, durante os protestos contra o regime de Assad. Segundo estimativas da ONU, mais de 3 mil pessoas já morreram no país em consequência dos confrontos.

Em entrevista ao jornal britânico Sunday Telegraph, publicada neste domingo (30/10), o presidente sírio disse ainda que o país poderá virar "outro Afeganistão", caso as forças ocidentais resolvam invadir a Síria, assim como fizeram na Líbia, culminando com a derrocada do então líder Muamar Kadafi.

"Qualquer problema na Síria vai inflamar toda a região. Se o plano é dividir o país, isso vai significar dividir toda a região", afirmou Assad, segundo o jornal, ressaltando ainda que o país localiza-se no centro de um território conturbado, fazendo fronteira com Israel, Líbano, Turquia, Iraque e Jordânia.

Disposto a ficar no poder

Apesar da pressão internacional, as últimas declarações de Assad reforçam a determinação do presidente em permanecer no poder, apesar da série de levantes populares que pedem o fim de seu regime. O posicionamento do presidente sírio vem despertando uma série de críticas entre a comunidade internacional.

Assad não tem demonstrado disposição para deixar o poder

Assad não tem demonstrado disposição para deixar o poder

O comitê da Liga Árabe que trata da crise na Síria enviou uma "mensagem urgente" ao governo do país expressando seu "severo descontentamento com as mortes de civis" durante os protestos. Enviados da China ao Oriente Médio também pediram neste domingo que Assad acelere as prometidas reformas para atender às demandas da população, afirmando que a situação é perigosa e que o banho de sangue não pode continuar.

Os Estados Unidos culpam a China e a Rússia por não terem colaborado na tentativa de isolar Assad diplomaticamente e de implantar sanções econômicas à Síria. Os dois países vetaram, no Conselho de Segurança da ONU, a adoção a imposição de sanções contra o país.

Recentemente, manifestantes pedindo mais liberdade e o fim do regime de Bashar al-Assad têm feito protestos pedindo que as Nações Unidas imponham uma área de bloqueio aéreo sobre a Síria, assim como foi feito com a Líbia.

Massacres nas ruas

Os protestos têm ficado mais intensos nos últimos dias. Entre sexta-feira (28/10) e sábado (29/10), cerca de 100 pessoas morreram em sangrentos confrontos, entre civis e soldados.

Na cidade de Homs, pelo menos 20 soldados morreram em confrontos com dissidentes militares no sábado, e mais de 50 pessoas ficaram feridas. Na sexta-feira, 37 pessoas já haviam sido mortas em manifestações em Homs e Hama. O Observatório dos Direitos Humanos na Síria afirma que as mortes ocorreram quando forças do governo entraram na cidade com armamento pesado.

Homs vem se consolidando como um dos principais focos de oposição a Assad, à frente do poder na Síria há 11 anos. Seu pai, Hafez, governou o país por 29 anos até a sua morte.

MSB/afp/rtr
Revisão: Soraia Vilela

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