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Alemanha

Presidente alemão promove cultura da reconciliação em viagem à Colômbia

Em visita a Bogotá, Joachim Gauck, falou de questões que afligem a população colombiana – como o conflito civil com as Farc, que já dura décadas. O presidente alemão chega neste domingo ao Brasil.

Logo no início de sua estada no país, o presidente alemão, Joachim Gauck, arrefeceu as expectativas em torno de sua visita. Ele disse que não estava ali para explicar aos colombianos como eles deveriam organizar a paz, declarou Gauck em Bogotá. Essa não seria sua tarefa, afirmou.

Mesmo assim, durante uma palestra na Universidade dos Andes, nesta sexta-feira (10/05), Gauck falou de duas questões centrais que afligem a população colombiana – uma sociedade abalada por um conflito armado de décadas. "Como a dignidade pode ser devolvida às vítimas, como se pode prestar reconhecimento a elas, como elas podem ser indenizadas?", perguntou o presidente alemão à plateia. "E como os culpados, os enganados, os espectadores e as vítimas podem ter êxito numa sociedade democrática?"

"Sem verdade, sem reconciliação"

Joachim Gauck in Kolumbien

Joachim Gauck na Universidade dos Andes

Estas são perguntas com as quais muitos alemães foram confrontados após a reunificação em 1990. "Reprimir e esconder estavam fora de questão para os defensores de direitos civis e para a maioria dos alemães orientais", lembrou Gauck. O resgate da era Stasi na antiga Alemanha Oriental não pode ser comparado com a situação na Colômbia, constatou. "Aqui, as pessoas enfrentam outro tipo de inimizade mortal, é um processo muito mais complicado."

Mas uma coisa é certa, disse Gauck: "Sem a verdade, nunca há uma reconciliação interna." A documentação pública da violência pode fazer com que aqueles que são responsáveis pela violência também sejam deslegitimados publicamente mesmo sem um julgamento, afirmou o presidente alemão.

Acesso a informações

Para Gauck, uma forma de reconciliação pode ser a cultura da lembrança: "A solução alemã era: reconciliação em vez de retaliação. Anistia em troca da verdade", lembrou. Com vista ao grande número de vítimas na Colômbia, não é possível, porém, "processar todas as pessoas que merecem ir a tribunal, então é importante que se abram ao menos os arquivos, que se criem programas de testemunho, para que a verdade venha à tona."

Os atos de violência do conflito armado devem ser documentados publicamente e acessíveis a todos. Somente assim será possível chegar a uma reconciliação sustentável, e então as vítimas irão perceber que estiveram no lado certo, e os criminosos irão reconhecer que fizeram algo de errado, disse Gauck. Ele chega ao Brasil neste domingo juntamente com sua companheira, Daniela Schadt.

Negociações de paz

Juan Manuel Santos und Joachim Gauck

Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e Joachim Gauck

Na Colômbia, o conflito armado entre grupos guerrilheiros de esquerda, paramilitares de direita e o Exército regular já provocou, nas últimas décadas, milhões de fugitivos internos e centenas de milhares de mortos. As atuais negociações de paz, que já duram meses, entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) – organização guerrilheira de orientação esquerdista – podem se tornar um marco na história do país, caso venham a ser bem-sucedidas.

Acompanhadas mundialmente, as negociações de paz começaram em meados de outubro do ano passado em Oslo e, desde então, têm continuado em etapas em Havana. Os negociadores colombianos cogitaram a possibilidade de reconhecer as Farc como um partido político.

As Farc surgiram em 1964. Com cerca de 9.200 combatentes, elas formam a maior organização rebelde da América Latina. Ela é acusada de graves violações dos direitos humanos e foi classificada pela União Europeia como terrorista.

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