Presidente alemão diz que errou com a imprensa, mas rejeita renúncia | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 04.01.2012
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Alemanha

Presidente alemão diz que errou com a imprensa, mas rejeita renúncia

Em entrevista à televisão, Wulff diz que seu telefonema ameaçador a um jornalista foi um "grave erro", mas rejeita renunciar ao cargo por "não ter violado nenhuma lei".

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Presidente Christian Wulff

Há três semanas o presidente da Alemanha, Christian Wulff, encontra-se sob o fogo cruzado da opinião pública, naquilo que se transformou num duplo escândalo. Acusado de aceitar favores financeiros duvidosos, ele acabou por incorrer numa tentativa de coibir a liberdade de imprensa, usando ameaças e a autoridade do cargo que ocupa.

Nesta quarta-feira (04/01) Wulff concedeu às emissoras de TV de direito público ARD e ZDF uma entrevista ansiosamente esperada. Contrariando as expectativas de grande parte dos analistas políticos, ele afirmou não ter considerado, nos últimos dias, a alternativa de renunciar à presidência, mas reconheceu ter cometido um "grave erro" ao ameaçar o redator-chefe do jornal Bild por causa da publicação de uma matéria.

Há três semanas o Bild publicou uma matéria na qual informava que Wulff, quando ainda era governador da Baixa Saxônia, em 2008, recebeu um empréstimo de 500 mil euros da esposa de um empresário amigo, a juros baixos. Com o dinheiro, o então governador pagou a casa em que mora. No início desta semana, a imprensa alemã publicou que Wulff ligara para o redator-chefe do Bild, ameaçando-o caso publicasse a matéria. Wulff não foi atendido e deixou um recado na secretária eletrônica do jornalista.

Na entrevista à TV, Wulff disse estar ciente de sua responsabilidade e que pretende, após os cinco anos de mandato regular, apresentar um balanço como bom e bem-sucedido presidente. Ele assegurou nada ter feito de ilícito e disse sentir o apoio da população: "Os cidadãos contam que permanecerei como presidente federal".

Contrição e desafio

Bundespräsident Christian Wulff Interview Kredit- und Medienaffäre 4.1.2012

Wulff entrevistado por Schausten (d) e Deppendorf

O chefe de Estado admitiu aos jornalistas Ulrich Deppendorf e Bettina Schausten ter cometido "um grave erro" ao telefonar para o redator-chefe do jornal Bild, Kai Diekmann, ameaçando-o caso publicasse uma matéria sobre um empréstimo que obteve para o pagamento de sua casa. Wulff disse lamentar o ocorrido e que se desculpara tão logo retornou da viagem pelo Oriente Médio, de onde dera o telefonema a Diekmann. Ele próprio considera seu comportamento incompatível com o cargo de presidente.

No entanto, não quis impedir o trabalho de divulgação do Bild – jornal de maior circulação no país –, disse, mas apenas pedira que a notícia fosse adiada por um dia. O democrata-cristão admitiu que precisa e irá "reordenar" suas relações com a imprensa, "lidar com ela de forma diferente, reconhecê-la e integrá-la mais fortemente, na qualidade de mediadora. [As mídias] têm uma tarefa importante na democracia".

Por outro lado, no tocante ao escândalo original, de presumível favorecimento ilícito, o presidente se mostrou bem menos contrito. Sobre o polêmico empréstimo, comentou tratar-se de "condições completamente normais e comuns", e acrescentou: "Não quero ser presidente num país em que uma pessoa não pode mais pedir dinheiro emprestado aos amigos".

"Direitos humanos para presidentes"

Deutschland Bundespräsident Christian Wulff fährt vor Schloss Bellevue

Palácio presidencial Bellevue, em Berlim

Durante a entrevista televisiva, o político conservador pediu repetidamente a compreensão dos espectadores. Um presidente deve agir e reagir de forma sensata, reconheceu. Mas aparentemente ele "se sentiu como vítima", já que assuntos privados seriam levados a público, e reagiu de forma exagerada, disse sobre o telefonema ao jornalista.

Talvez seja possível "compreender humanamente" a situação em que ele se encontrava: o mais íntimo de si estava prestes a ser exposto para fora, e ele se sentiu indefeso. "Também existem direitos humanos para presidentes", apelou.

Seja como for, Christian Wulff não se considera um "chefe de governo em condicional", como sugerido pelos entrevistadores. Esse termo só é usado no caso de infrações legais, argumentou. "Não violei nenhuma lei, nem agora, no cargo de presidente, nem antes. Não se trata de infrações, mas de questões de transparência, exposição, esclarecimento. Considero o conceito de 'condicional' fora de propósito."

Wulff reforçou: "Assumo minha responsabilidade, optei por isso conscientemente e tenho um interesse duradouro em nosso país, em levá-lo adiante. Precisamos novamente da força para nos ocupar da política, neste ano".

AV/dpa/epd/dapd
Revisão: Alexandre Schossler

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