Presidente alemão apela por maior solidariedade mútua | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 24.12.2009
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Alemanha

Presidente alemão apela por maior solidariedade mútua

Destacando crimes drásticos que escandalizaram a Alemanha este ano, o presidente Horst Köhler fez um apelo por maior solidariedade. Em seu discurso de Natal, ele também exigiu o fim dos desmandos no setor financeiro.

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Köhler lembra crimes ocorridos em 2009: 'no limite do compreensível'

Em seu pronunciamento de Natal, o presidente da Alemanha, Horst Köhler, conclamou os cidadãos do país a se empenharem em todos os âmbitos da vida por uma "cultura da atenção e reconhecimento". Toda pessoa pode fazer algo pelo país, ressaltou o chefe de Estado.

Köhler mostrou reconhecimento por milhões de cidadãos "que se engajam pelo próximo e pela coletividade, seja em associações, igrejas, partidos políticos, iniciativas civis ou na vizinhança". Ele afirma ter observado continuamente, em 2009, esse empenho que une as pessoas e enriquece o país.

Crimes "no limite do compreensível"

O presidente alemão recapitulou os acontecimentos dos últimos meses que causaram uma sensação de desamparo entre os alemães. Ele se remeteu à chacina com 16 mortes numa escola de Winnenden, no sul da Alemanha, em março passado, e à agressão mortal de dois jovens contra um homem de 50 anos numa estação de trem urbano de Munique, em setembro.

"Neste ano, vivenciamos atos que nos confrontaram com o limite do compreensível e nos deixaram perplexos", constatou ele. Essas ocorrências, que levaram o presidente a se perguntar até que ponto existe uma consideração mútua entre as pessoas, deveriam fazer todos se questionar e refletir sobre a convivência em sociedade, apelou.

"O dinheiro deve servir às pessoas"

Diante da crise financeira e econômica, Köhler exige "respeitabilidade e melhores regras para o setor financeiro". "Acabamos de vivenciar que o descomedimento dos agentes financeiros e as deficiências de uma inspeção estatal fizeram o mundo cair numa crise profunda", declarou ele. Nesse contexto, ele advertiu que "o dinheiro deve servir às pessoas e não dominá-las".

Referindo-se à proteção ambiental, o presidente alemão também fez um apelo, a fim de que todos atentem mais para os fundamentos naturais da vida. "Isso significa viver de forma mais consciente, por uma qualidade de vida melhor, em harmonia com a criação." Nesse sentido, ele destacou a importância das ideias, da racionalidade e do empenho em projetar um futuro bom. "Trata-se de uma política que pensa e age para além do dia de hoje."

Ao largo dos que precisariam ouvir

A imprensa alemã comentou o discurso de Natal de Köhler, contextualizando-o na tradição de presidentes que costumavam apelar para a consciência moral das pessoas, como Johannes Rau.

Para o diário Stuttgarter Nachrichten, ao exigir uma "cultura da atenção e do reconhecimento", Köhler não pôde esconder que teme não estar atingindo, por meio dessas palavras secas, aqueles que mais precisariam ser atingidos. O jornal contextualiza o presidente na tradição dos antecessores que olhavam para dentro das salas de estar aconchegantes em todo o país.

Já o Nordwestzeitung acha que as palavras de Horst Köhler fazem refletir a todos. "Seu apelo por mais humanidade, mais respeito pelas atividades sociais honoríficas, bem como sua crítica aos excessos de certos banqueiros e executivos toca exatamente no ponto. Um discurso na hora certa."

Valores a serem reiterados

O Neue Osnabrücker Zeitung também considera necessário lembrar constantemente dessas virtudes e valores, pois no cotidiano eles não seriam nada evidentes. "Isso está provado pela atitude das pessoas que se omitem enquanto outras são espancadas em estações de metrô e na atuação de banqueiros que se enriqueceram com ganância."

Para o jornal Heilbronner Stimme, o presidente Köhler encontrou o tom certo em seu pronunciamento de Natal. "Ele chama a atenção para aquilo que conta para além do êxtase comercial. Valores que constituem uma sociedade, dos quais – no entanto – as pessoas precisam continuamente advertidas. Quando o egoísmo passa a ofuscar a solidariedade, há algo de errado na Alemanha."

SL/dw/afp/dpa
Revisão: Augusto Valente

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