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Mundo

Presença do EI na Líbia oferece perigo para a Europa, diz cientista político

Terroristas do "Estado islâmico" podem aproveitar má vigilância nas fronteiras líbias e ir para Egito e Tunísia. Especialista afirma que Líbia é país sem Estado e exército unificado.

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Bengasi, na Líbia, é alvo de constantes combantes

Depois de Iraque e da Síria, o grupo terrorista "Estado Islâmico" (EI) está ativo na Líbia. Relatos de militares americanos indicaram a presença de campos de treinamento no leste do país. E, segundo um dos chefes do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, jihadistas libaneses juraram recentemente lealdade ao "Estado Islâmico".

Desde a queda do regime de Muammar Kadafi, em 2011, numerosas milícias lutam pelo poder na região. Uma das principais cidades, localizada perto das montanhas, é Derna, com 150 mil habitantes. "Em alguns lugares há bandeiras jihadistas hasteadas. Atualmente fala-se de um 'Emirado de Dern'", comenta o cientista político Hasni Abidi, diretor do Centro de Estudos e Pesquisas sobre o Mundo Árabe e Mediterrâneo (Cermam), em Genebra.

Para Hasni, os jihadistas representam uma ameaça para a Líbia, "porque estes grupos se dirigem contra um país no qual não há mais Estado", mas também para a Europa. "A Líbia tem fronteiras comuns com o Egito e a Tunísia, pelas quais terroristas poderiam passar sem serem impedidos", explica. Por isso, países europeus estão acompanhando atentamente as milícias jihadistas na Líbia.

DW: Aparentemente o "Estado Islâmico" criou um campo de treinamento no leste da Líbia. Do que se trata exatamente?

Hasni Abidi: São informações que recebemos da cidade de Derna. Seus moradores atravessaram a fronteira com o Egito – Derna não fica muito longe do Egito. De acordo com relatos de testemunhas credíveis, há alguns indícios da presença do EI na região. Em alguns lugares há bandeiras jihadistas hasteadas.

Também teriam sido tomadas algumas decisões judiciais coerentes com o perfil dos jihadistas. Além disso foram criadas algumas instituições públicas semelhantes às que o EI estabeleceu nas regiões conquistadas no Iraque.

Derna fica às margens de uma região desértica com muitas montanhas. Lá é possível conduzir campos de treinamento muito bem escondidos, assim como fez a milícia Grupo Islâmico Combatente, pertencente à Al Qaeda. Acredita-se que atualmente grupos ainda mais radicais já se instalaram por lá.

Quem são os membros recrutados por esse grupo? Qual o significado de sua presença para a Líbia?

Hasni Abidi

Hasni Abidi é diretor do Centro de Estudos e Pesquisas sobre o Mundo Árabe e Mediterrâneo (Cernam)

Fala-se atualmente de um "Emirado de Derna". É difícil dizer quem faz parte. Além disso, há outros grupos radicais: por um lado, aqueles que desde sempre estiveram presentes na Líbia; por outro, aqueles com membros que lutaram no exterior e que agora retornaram. Há algum tempo existem conexões entre eles e o EI. Elas são baseados em semelhanças ideológicas, assim como laços tribais e, além disso, os grupos lutam em conjunto.

Politicamente, essas conexões são extremamente sensíveis. Por isso, grupos islâmicos que têm cadeiras no Parlamento ou até mesmo pertencem ao governo absolutamente não têm interesse em se unir aos jihadistas. Porque eles sabem que estes não são aceitos pela comunidade internacional e até mesmo são combatidos.

Qual é o perigo que estes grupos representam para o Estado líbio?

Um grande perigo. Porque esses grupos se voltam contra um país no qual não há mais Estado. É um país com dois parlamentos e dois governos. E há uma grande quantidade de armas na Líbia. Além disso, é preciso lembrar que a Líbia tem fronteiras comuns com o Egito e a Tunísia, pelas quais terroristas poderiam passar sem serem impedidos.

A Líbia também não tem mais um exército unificado que poderia defender o território. Portanto, apenas por sua mera presença, há um risco de que os jihadistas consigam atrair mais pessoas com ideologias semelhantes. Deles, é claro, parte também uma ameaça para a Europa. Por isso governos europeus, como o francês por exemplo, observam atentamente os jihadistas.

Por que a Líbia falhou como Estado?

A intervenção ocidental que provocou a queda de [Muammar] Kadafi foi executada sem o acompanhamento de um conceito político. Assim nada pôde ser feito contra a divisão da sociedade líbia, cuja consequência foi o fim da ordem e do controle.

Além disso, a Líbia sofre com enormes disputas de poder e pela distribuição da renda do petróleo. A Líbia se tornou uma vítima das lutas pelo poder de atores estrangeiros. Hoje pode-se ver claramente que as lutas de poder entre o Egito e alguns países do Golfo, mas também alguns Estados europeus, alimentaram os conflitos internos na Líbia.

Como deve ser a política que traria um futuro com perspectivas à Líbia?

Atualmente, no contexto da Líbia, olha-se para a Argélia. O país vizinho tem relações com os dois governos líbios: o governo regular, que fugiu para Tobruk [na Líbia], e o de oposição, em Trípoli. Com a ajuda da mediação argelina, os líbios poderiam encontrar uma solução nacional e que incluiria todos os grupos.

Poderia-se chegar a um acordo sobre uma diretriz nacional para realizar eleições. Isso seria também uma maneira de evitar que Estados estrangeiros interfiram nos assuntos da Líbia. No final das contas, os líbios só poderão solucionar o conflito com esforço e vontade própria.

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