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Economia

"Precisamos de mais justiça"

Diante da assembléia geral da ONU, o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, defendeu ajuda internacional para o Iraque. A Deutsche Welle ouviu Wolfensohn sobre a questão e sobre a economia mundial.

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James Wolfensohn quer um Banco Mundial próximo das pessoas

DW-WORLD: À parte das ajudas financeiras, o que o Iraque necessita no momento?

James Wolfensohn: Creio que o tema mais importante é a segurança. Isto nós vimos nos atentados contra a ONU e contra a Cruz Vermelha no Iraque. O segundo tema mais importante é naturalmente o das dívidas, que tem de ser negociado. O Iraque tem 140 bilhões de dólares de dívidas externas, isto representa dez vezes a receita anual do Estado. E o que é importante a curto prazo é a transferência do poder a um governo iraquiano eleito.

O sr. falou sobre as dívidas externas, as avaliações giram em torno de 120 a 140 bilhões de dólares. O sr. recomenda assim à comunidade internacional, ou seja, aos credores que perdoem as dívidas?

Eu recomendo a eles que tenham certa complacência com o Iraque. Na antiga Iugoslávia, houve um acordo sobre o perdão de dois terços das dívidas. Não é apenas uma questão de caridade, mas também uma questão das chances futuras do país. Mesmo que o Iraque duplique a sua receita com base no petróleo, ele não poderá pagar as suas dívidas. Esta é uma sobrecarga impossível. Não tenho dúvida de que, no ano que vem, haverá negociações sérias sobre um perdão das dívidas.

Esta semana, o sr. afirmou que o mundo perdeu seu equilíbrio, em decorrência da defasagem entre pobres e ricos. O que o levou a esta constatação e o que tem de ocorrer para que haja um pouco mais de justiça no mundo?

Seja na Alemanha, nos Estados Unidos ou na Austrália, não podemos fazer de conta que existe um muro em torno de nós, que nos isola de todos os acontecimentos nos países em desenvolvimento. Estamos estreitamente entrelaçados com esses países através do comércio, através das finanças e através da imigração, mas também através da criminalidade e do terrorismo. Temos que admitir que somos parte de uma família global. E, se nessa família, cinco bilhões de pessoas possuem apenas 20% do patrimônio mundial e um bilhão de pessoas possuem 80%, então existe uma desigualdade que não poderá continuar eternamente.

Há algum tempo, o sr. afirmou que "pobreza rouba a esperança", pobreza exclui as pessoas e provoca ódio, violência e terrorismo. O sr. vê uma relação direta entre a pobreza e o terrorismo?

Sim, vejo. Não é que seja assim que cada pobre vai lá e faz um prédio voar pelos ares. Mas devo lembrar que, de seis bilhões de pessoas, quase três bilhões estão hoje com menos de 23 anos de idade. Se esses jovens não tiverem nenhuma perspectiva de trabalho, nenhuma esperança e não puderem conhecer a estabilidade, então é claro que eles se tornarão facilmente vítimas de pessoas que os seduzem para o terrorismo ou a criminalidade. Esta é a relação direta e não é nenhuma surpresa, que os terroristas tenham o seu maior êxito de recrutamento nos países pobres. É o caso, por exemplo, da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, onde a taxa de desemprego está em torno de 50%. Quando lhes é prometida uma vida melhor depois da morte, suas famílias lucram com suas mortes e elas não têm nenhuma esperança. Não é surpresa as pessoas reagirem da maneira como o fazem.

Isto significa que a guerra contra o terrorismo, que é levada a cabo agora pelos países ocidentais, tem um efeito apenas superficial?

Na minha opinião, pode-se matar todos os líderes terroristas do mundo, mas enquanto não nos ocuparmos com as questões básicas da justiça e da estabilidade haverá sempre uma nova geração de terroristas. Não se pode solucionar o problema simplesmente matando cem, mil ou cinco mil pessoas.

O sr. está há oito anos à frente do Banco Mundial. O que mudou muito neste período? Até que ponto?

Creio que meus colaboradores e eu reorganizamos o Banco de uma maneira muito humana. O mais importante no trabalho de desenvolvimento é o nível humano. Não é nenhuma questão de teoria ou de análise econômica. É preciso estar próximo às pessoas. Além disto, não podemos ser arrogantes e fazer de conta que sabemos tudo. Nós logramos chegar às pessoas. Quase um terço dos nossos colaboradores estão agora in loco, ou seja, viajando pelos países em desenvolvimento.

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