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Mundo

Prédio que desabou em Bangladesh não poderia alojar fábricas

Arquiteto da empresa responsável pelo projeto revela que edifício tinha três andares a mais do que o planejado. Número de mortes já passa de 620. Organização Internacional do Trabalho quer mais rigor na fiscalização.

Neste domingo (05/05), 12 dias após o colapso de um prédio em Daca, capital de Bangladesh, a polícia confirmou que o número de mortes já passa de 620. O trabalho nos escombros prossegue. Enquanto as autoridades ainda tentam esclarecer a tragédia, o arquiteto responsável pela empresa que projetou o prédio declarou que o edifício não fora planejado para receber equipamentos industriais pesados.

Segundo Masood Reza, arquiteto da Vastukalpa Consultants e professor universitário, apenas lojas e escritórios deveriam funcionar no prédio. No entanto, no Rana Plaza funcionavam fábricas de roupas, onde trabalhavam mais de 3 mil pessoas, a maioria mulheres, manufaturando peças para marcas famosas, como Mango, Benetton e Primark.

Rezar ressaltou ainda que o edifício deveria ter apenas seis andares, e não nove, como apresentava antes de desabar. Equipamentos pesados, como geradores de energia, afirma o arquiteto, também não poderiam ser colocados sobre a cobertura. Ele garante que sua empresa não foi informada sobre as mudanças no Rana Plaza, nem sobre a instalação de fábricas de roupas, e diz que o dono do prédio, que se encontra preso, teria ignorado princípios básicos da técnica de construção.

De acordo com os primeiros levantamentos feitos pelas autoridades de Daca, as vibrações produzidas por quatro geradores teriam provocado o desabamento. Eles haviam sido acionados após uma queda de energia. Além dos geradores, as centenas de máquinas de costura ligadas teriam levado o edifício ao colapso no dia 24 de março, segundo o chefe das investigações Main Uddin Khandaker.

Restrições exacerbadas

Bangladesch Tote bei Einsturz von Textilfabrik 24.04.2013

Cerca de 3 mil pessoas trabalhavam no prédio na hora do acidente

O Ministério do Comércio de Bangladesh adverte a União Europeia sobre a imposição de restrições excessivamente rigorosas com relação à indústria têxtil do país asiático. Um alto funcionário do governo destaca que isso iria prejudicar a produção como um todo, e colocaria milhões de trabalhadores na rua.

Na Alemanha, a chanceler federal Angela Merkel defendeu regras de transparência mais firmes. Ao mesmo tempo, porém, afirmou que padrões de produção muito restritos em países em desenvolvimento poderiam atrapalhar o crescimento dos mesmos.

Anteriormente, a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, e o comissário europeu do Comércio, Karel de Gucht, haviam ameaçado Bangladesh com sanções comerciais, caso o país não adotasse padrões de segurança.

Governo promete ajuda

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) quer que as autoridades bengalesas fechem todas as fábricas que não oferecem segurança a seus trabalhadores. Assim, pode-se acabar com os acidentes "evitáveis", esclarece Gilbert Houngbo, da OIT. Ele afirma ainda que o governo precisa garantir que todas as fábricas serão inspecionadas e consertos e reparos urgentes serão realizados. Fábricas que não podem ser reformadas deverão ter as portas fechadas.

Governos, empresários e empregados realizaram um encontro neste sábado com a OIT, com o fim de traçar um plano de ação. O governo garantiu que todas as fábricas de tecido serão fiscalizadas, e que serão tomadas todas as demais medidas necessárias para, no futuro, evitar tragédias como a do Rana Plaza.

Com esse fim, devem ser contratados 200 novos inspetores, indústrias sob risco serão desalojadas e os trabalhadores receberão treinamento de segurança. Medidas semelhantes, porém, já haviam sido anunciadas em novembro último, quando um incêndio numa fábrica de tecidos deixou 111 mortos.

MSB/afp/dpa/rtr/ap

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