″Povo saberá impedir qualquer retrocesso″, diz Dilma | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 22.04.2016
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Brasil

"Povo saberá impedir qualquer retrocesso", diz Dilma

Presidente dedica praticamente todo o discurso na ONU a questões ambientais e menciona apenas no final "grave momento" no Brasil, cuja "sociedade soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia".

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Discurso da presidente Dilma na Conferência da ONU

A presidente Dilma Rousseff dedicou praticamente todo o seu discurso na ONU nesta sexta-feira (22/04) a questões ambientais, com apenas uma breve referência ao que chamou de "grave momento" vivido pelo Brasil.

A expectativa durante a semana era de que a presidente usaria sua fala na tribuna da ONU, por ocasião da assinatura do Acordo de Paris sobre o clima, para denunciar o impeachment como golpe.

Na maior parte do discurso, Dilma ressaltou as promessas feitas pelo Brasil para combater as mudanças climáticas, como o desmatamento zero na Amazônia, a redução de 43% das emissões de gases do efeito-estufa até 2030 e o aumento da participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira até 45%.

A presidente assumiu o compromisso de assegurar a rápida entrada em vigor do acordo no Brasil, e disse que o caminho à frente será ainda mais desafiador, uma vez que implica em transformar aspirações em resultados concretos.

Dilma também fez uma cobrança aos países desenvolvidos por mais ação no combate às mudanças climáticas, e disse ser fundamental um aumento na promessa de financiamento global de 100 bilhões de dólares anuais para o combate à mudança do clima.

"O desafio de enfrentar a mudança do clima torna imprescindível o aumento progressivo do nível de ambição dos países desenvolvidos", afirmou a presidente, que exaltou os resultados "expressivos" de países em desenvolvimento como o Brasil na redução de emissões.

"Meu governo traçou metas ambiciosas e ousadas porque sabe que os riscos associados aos efeitos negativos recaem fortemente sobre as populações vulneráveis de nosso país e do mundo quando não tomamos medidas corretas para a contenção da mudança do clima", prosseguiu Dilma.

"Uma pujante democracia"

Após quase oito minutos de discurso centrado no clima, foi só ao final que a presidente mencionou a crise brasileira, agradecendo a líderes internacionais que manifestarem solidariedade a ela em meio à tramitação do processo de impeachment no Congresso.

"Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso", disse, no encerramento do discurso.

Representantes de cerca de 160 países assinam o Acordo de Paris, que objetiva combater os efeitos das mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases do efeito estufa. A cerimônia de assinatura do documento, fechado em dezembro de 2015, depois de difíceis negociações entre 195 países e a União Europeia, ocorre na sede da ONU no Dia Mundial da Terra, comemorado nesta sexta-feira.

Para que possa entrar em vigor em 2020, o acordo ainda precisa ser ratificado por 55 nações responsáveis por, pelo menos, 55% das emissões de gases de efeito de estufa.

Depois da adoção do texto em Paris, ainda é necessária a assinatura definitiva do acordo, até fim de abril de 2017. A seguir, vem a ratificação nacional conforme as regras de cada país, podendo ser por meio de votação no parlamento ou de decreto-lei, por exemplo.

RPR/ots

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