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Mundo

Possível futuro premiê chinês, Li Keqiang é tecnocrata de passado liberal

Comunista é apontado como possível sucessor do primeiro-ministro Wen Jiabao. Apesar de sua suposta posição liberal nos tempos de estudante, Li é considerado um protegido do presidente conservador Hu Jintao.

Li Keqiang era "um estudante de pensamento vivo e fortes argumentos", escreveu o dissidente Wang Juntao há alguns anos em um post de blog sobre seus antigos colegas. Funcionário da Liga da Juventude chinesa da Universidade de Pequim no início dos anos 1980, Li sempre levantou a bandeira do "idealismo e do espírito independente dos estudantes". Em 1989, quando Wang voltou a encontrá-lo nas manifestações na Praça da Paz Celestial, encontrou "o mesmo humor afiado e a mesma mente aberta".

Quando Wang publicou tais linhas, Li era secretário do Partido Comunista da província de Liaoning, no nordeste da China. E também era considerado um potencial sucessor do chefe de Estado e do Partido Comunista chinês Hu Jintao. É possível que justamente esses comentários tenham destruído suas chances.

"Isso o prejudicou bastante no partido", relata Richard McGregor, amigo de Li. Autor do livro The Party (O Partido, em tradução livre), McGregor é um reconhecido especialista no funcionamento interno do Partido Comunista chinês. Agora, provavelmente Li Keqiang terá que se contentar com a posição de primeiro-ministro.

Enviado para o campo

Li é considerado um protegido do chefe de Estado em exercício, Hu Jintao, que, por sua vez, é tido como conservador. Assim como Hu, Li vem da pobre província de Anhui, na porção central da China, e começou sua carreira partidária na Liga da Juventude Comunista.

Filho de um funcionário público, Li nasceu no distrito de Dingyuan. Como milhões de outras pessoas, foi enviado durante a Revolução Cultural como "jovem instruído" para o interior do país − em seu caso, a um município vizinho. Em 1976, entrou para o Partido Comunista.

Quando, após a morte de Mao, as universidades foram reabertas, ele foi um dos primeiros a serem autorizados a estudar novamente. Primeiro, formou-se em Direito na prestigiada Universidade de Pequim. Mais tarde, fez doutorado em Economia.

Após sua carreira na Liga da Juventude, da qual se tornou presidente no início dos anos 1990, Li se mudou para a província central chinesa de Henan, onde foi secretário do Partido Comunista e governador.

Governador dos três incêndios

Deutschland China Wirtschaft Li Keqiang bei Angela Merkel in Berlin

Ares cosmopolitas: Li e a chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim

Durante o mandato de Li, a pobre Henan recuperou-se economicamente. Mas a gestão do líder comunista foi marcada por catástrofes. Primeiro, uma sucessão de incêndios em uma fábrica, um cinema e uma discoteca matou centenas de pessoas, conferindo a Li o apelido de "governador dos três incêndios".

Depois, aos poucos foi sendo revelado à opinião pública que, durante anos, comerciantes de sangue haviam infectado grande parte da população rural da província com o vírus do HIV. Embora a prática tenha começado muito antes de seu mandato, em vez de esclarecer, Li tentou encobrir o escândalo, intimidando ativistas.

Autocrítico, o governador deixou o cargo após seis anos, com as seguintes palavras: "As decisões que fiz durante meu mandato talvez não tenham sido sempre as mais acertadas, e algumas também não são condizentes com o futuro. Por isso, vocês não devem hesitar em corrigi-las." Ao fim da fala, ele foi aplaudido de pé.

A atuação de Li como secretário do partido na província de Liaoning também foi ofuscada pela explosão de uma mina, que deixou mais de 200 trabalhadores mortos. Mas o político conseguiu ganhar pontos com um forte crescimento econômico.

Em 2007, Li foi nomeado para o Comitê Permanente do Politburo, o órgão máximo do Partido Comunista da China. Desde então, é responsável por uma série de questões importantes: reformas econômicas, política de preços, reformas estruturais, a reforma na área da saúde e o desenvolvimento de energias renováveis.

Tecnocrata cosmopolita

China Staatschef Hu Jintao

Hu Jintao: chefe de Estado é tido como incentivador de Li

Li apresenta-se como alguém cosmopolita. Nos últimos anos, viajou a países parceiros importantes, especialmente na zona do euro, e representou a China no Fórum Econômico Mundial, em Davos. No discurso que marcou o aniversário da Universidade de Hong Kong, ele surpreendeu a audiência ao proferir partes de seu texto em inglês.

Para 2013, Li é apontado como provável substituto do primeiro-ministro Wen Jiabao. Wen se distinguiu nos últimos anos como um representante dos reformistas no governo, assim como seu antecessor, Zhu Rongji. Caso Li considere desempenhar um papel semelhante, o elogio envenenado outrora publicado no blog de Wang Juntao poderia até lhe ajudar.

Autor: Mathias Bölinger (md)
Revisão: Luisa Frey

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