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Alemanha

Posição alemã sobre Iraque contrariou Washington

O embaixador americano em Berlim foi à chancelaria conversar sobre as declarações do chefe de governo. Gerhard Schröder manifestou-se contra a participação alemã num ataque contra o Iraque, o que desagradou Bush.

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Gerhard Schroeder: amizade não é sempre dizer "sim" e "amém" a Washington

O rechaço do governo alemão a uma eventual guerra contra o Iraque, ao que tudo indica causou contrariedade em Washington. O embaixador norte-americano em Berlim, Dan Coats, foi à chancelaria federal conversar a respeito, noticiou o New York Times, em sua edição de sábado (17). O chefe de governo alemão, Gerhard Schröder, negou que sua posição sobre o Iraque prejudicasse as relações com os Estados Unidos. Um porta-voz do governo, em Berlim, confirmou uma conversa do embaixador Coats com o chefe da chancelaria, Frank-Walter Steinmeier.

Schröder: amizade não é dizer "sim" a tudo

Neste domingo (18/08), durante reunião do SPD (Partido Social Democrático), do qual é presidente, Schröder renovou a objeção de seu governo a uma participação da Alemanha em um ataque contra o Iraque. Ele não aconselha, absolutamente, "a criação de um novo foco de crise através de uma intervenção militar". O chanceler federal lembrou o engajamento de soldados alemães no Afeganistão e nos Bálcãs. "Nosso país não tem porque ouvir acusações de que não cumprimos nossas obrigações internacionais". No entanto, guerra contra o terrorismo internacional e um ataque contra o Iraque, seriam coisas completamente diferentes. Por mais respeito que se tenha ao aliado americano, Schröder ressaltou que amizade "não significa dizer sim e amém a tudo."

Segundo o New York Times, o embaixador americano em Berlim não falou com Schröder pessoalmente, a fim de não dar demasiada importância à questão. Segundo Steinmeier teria sido uma conversa comum, como as que existem regularmente entre a embaixada norte-americana e a chancelaria. No entanto, o jornal alemão Handelsblatt afirma que também há tensões entre a Alemanha e os EUA por causa de contatos econômicos de firmas alemãs no Iraque.

Iraque entrou para campanha eleitoral

A desavença com os EUA sobre o Iraque acabou tornando-se tema de campanha eleitoral na Alemanha, a pouco mais de um mês das eleições parlamentares de 22 de setembro. Enquanto Schröder, que governa em coalizão com o Partido Verde, tenta angariar as simpatias dos pacifistas, o candidato da oposição, governador Edmund Stoiber, da União Social Cristã, tem deixado em aberto se apoiaria uma participação alemã numa intervenção no Iraque, caso os partidos de oposição saiam vitoriosos das urnas e ele seja eleito o próximo chanceler federal. "Essa questão não está em discussão e não quero responder a perguntas hipotéticas", disse Stoiber na tevê. Os países europeus, segundo ele, deveriam ter uma posição comum, pois a Alemanha não pode seguir um caminho diferente dos demais.

Iniciativa de Bagdá e críticas em Washington

Enquanto isso, em Bagdá, o governo iraquiano renovou seu convite para discutir aspectos técnicos do trabalho dos inspetores de armas das Nações Unidas, antes de decidir sobre o seu retorno. O coordenador do controle, Hans Blix, recusou o convite, indicando que as condições das inspeções não seriam negociáveis. O Iraque teria que aceitar as determinações do conselho de segurança da ONU. Não seria aceitável sua posição de manter "conversações técnicas" para depois decidir sobre um possível retorno dos inspetores.

O presidente George W. Bush disse que irá decidir sobre um ataque ao Iraque com base nas informações atuais dos serviços secretos. Essa foi sua reação às objeções de vários políticos, inclusive senadores republicanos. Eles exigiram provas de que o Iraque representa uma grave ameaça. O ex-secretário de Estado Henry Kissinger e o conselheiro de segurança do ex-presidente George Bush, Brent Scowcroft, advertiram quanto à instabilidade que se criaria no Oriente Médio com uma guerra contra Bagdá.

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