Portugal não tinha outra saída, dizem analistas | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 07.04.2011
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Portugal não tinha outra saída, dizem analistas

Para especialista, alto déficit público e falta de competitividade são os principais problemas do país. Analista suspeita inclusive que o pedido de ajuda à União Europeia é tática eleitoral.

default

Preço do pacote de salvamento poderá ser alto

Os mercados financeiros vinham especulando há meses que Portugal seria o próximo país ameaçado de insolvência. A precisão foi confirmada na noite desta quarta-feira (06/04), quando o governo em Lisboa solicitou ajuda à União Europeia. O presidente da Comissão Europeia, e também português José Manuel Durão Barroso, confirmou a entrada de uma notificação a respeito.

Porém, as más notícias para Portugal prosseguiram: o Banco Central do país altamente endividado prevê para este ano uma queda de mais de 1% no crescimento econômico. Além disso, a dívida pública deve alcançar em breve o valor do crescimento econômico do país em um ano.

O mais recente plano de austeridade proposto pelo primeiro-ministro José Sócrates fracassou, o que o levou a renunciar no final de março. Sócrates está no cargo de forma interina até as eleições marcadas para 5 de junho próximo.

Juro somado a juro

Para piorar a situação portuguesa, nesta quinta-feira (07/04), o Banco Central Europeu elevou para 1,25% os seus juros de referência, "congelados" por quase dois anos no mínimo histórico de 1%. Segundo economistas, este aumento pode ter impacto em economias como a portuguesa, da Grécia ou da Irlanda.

Os juros da ajuda bilionária pedida por Portugal à União Europeia (UE) se orientarão conforme o mercado, que por sua vez se orienta pela taxa básica de juros. Além disso, Portugal ainda terá de pagar uma multa por ter se endividado.

Portugal beantragt Finanzhilfe Jose Socrates

Em nome de Portugal, o ainda primeiro-ministro José Sócrates

Beco sem saída

Na última terça-feira, a agência de classificação de risco Moodys rebaixou o rating soberano de Portugal; e, na sexta-feira anterior, a agência Fitch rebaixou a nota de crédito de Portugal em três níveis. Christoph Weil, analista do banco alemão Commerzbank, afirma que, apesar de todas as medidas tomadas, Portugal não conseguiu reduzir seu déficit orçamentário.

Ele lembra que Portugal pretendia diminuir seu déficit orçamentário para 7,3% em 2010: "Chegaram a 8,6% do PIB e se descontarmos, por exemplo, o pagamento único da Telecom Portugal, o déficit ficaria em 10%, o que seria exatamente igual ao de 2009". Para Weil, o déficit público e a falta de competitividade são os maiores problemas de Portugal. Ele inclusive suspeita que o pedido de ajuda à União Europeia é uma tática eleitoral, já que o atual governo de Portugal nunca antes aceitou ajuda "de estranhos".

Vários anos deverão se passar até que se tornem visíveis os efeitos das reformas necessárias no mercado de trabalho e no setor educacional português. Tempo este que os mercados financeiros não estão dispostos a dar. Os juros sobre empréstimos públicos de longo prazo subiram mais de 8% – uma taxa muito alta até mesmo para países de economia estável.

"Brincadeira cara"

O economista-chefe do banco alemão Nord LB, Torsten Windels, não vê alternativa para Portugal a não ser o pacote europeu de salvamento. Para ele, um pedido de ajuda é o mesmo que oficializar a insolvência. "Não é nada mais que entregar a capacidade de governar o país ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira".

Uma brincadeira "no mínimo cara" para Portugal, comenta Weil. Até junho, Portugal precisa trocar por novos, cerca de 12 bilhões de euros em créditos vencidos.

Portugal precisa de até 70 bilhões de euros, acredita Weil. Um valor que pode ser disponibilizado sem problemas pelo pacote de salvamento europeu, válido até 2013. Até agora, este fundo – cuja soma efetiva atingirá 440 bilhões de euros até junho – despendeu apenas 85 bilhões para a Irlanda. Já para a Grécia, a União Europeia e o FMI haviam criado em maio de 2010 um pacote de salvamento especial.

BR/rts/lusa/dw
Revisão: Roselaine Wandscheer

Leia mais