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Economia

Porta-voz das boas novas

Num país em que só se fala da falta de perspectivas para se sair da atual crise econômica, empresários alemães vibram com as notícias da economia brasileira. Ministro Furlan aplaudido em Frankfurt.

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Ministro Luiz Fernando Furlan na abertura da conferência econômica em Frankfurt

O ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, chegou à 8ª Conferência Latino-americana da Economia Alemã com o objetivo de propalar o atual bom momento da economia brasileira. A expectativa criada pelas últimas notícias sobre o governo Lula foi tão grande que o evento promovido pela Iniciativa do Empresariado Alemão para a América Latina recebeu uma enxurrada de inscrições de última hora. Mais de 500 executivos, sobretudo alemães, mas também latino-americanos, assim como representantes de instituições, foram a Frankfurt ouvir as boas novas diretamente da boca do ministro.

Sem razão para medo — A política econômica dos primeiros 100 dias do governo Lula venceu o medo que havia desde a subida da estrela vermelha, admitiu Wolf Klinz, presidente da Câmara de Indústria e Comércio de Frankfurt, inspirando-se na frase "a esperança venceu o medo", usada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao vencer as eleições em outubro.

Único estrangeiro na mesa de abertura da conferência, o ministro Furlan anunciou o início de uma nova era no Brasil, no Mercosul e na América Latina. "Temos novos líderes no Brasil e no Paraguai e, em breve, na Argentina", lembrou. Segundo o ex-empresário, a crise econômica que freia a economia alemã e dos demais países desenvolvidos não afetará o Brasil, pois o atual boom de exportação— 25% ao ano — dirige-se sobretudo à Rússia, Oriente Médio, Argentina e especialmente a China. Somente para este país asiático, as vendas brasileiras cresceram 100% nos quatro primeiros meses deste ano. Em abril, a China ultrapassou a Argentina e a Alemanha e foi o segundo maior parceiro comercial do Brasil. No balanço anual, está em quarto lugar, posição até há pouco tempo ocupada pelo Japão.

Aposta a ser ganha — Para que o Brasil retome de forma duradoura o crescimento, Furlan lembrou que o governo Lula está fazendo o dever de casa e já apresentou ao Congresso Nacional suas propostas de reforma da previdência e tributária, ao contrário do que muitos acreditavam dentro e fora do país. O ministro disse aos empresários alemães que vai ganhar uma aposta feita com o presidente do Banco Central da Alemanha, Ernst Welteke, em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial.

Lateinamerika Konferenz der Deutschen Wirtschaft

Mesa de abertura da conferência em Frankfurt

"Quando anunciei em Davos que terminaríamos 2003 com estas reformas aprovadas, ele me olhou com grande ceticismo. Desafiei-o para uma aposta, valendo uma caixa de cerveja. Vou ganhar. As propostas já estão no Congresso. A reforma da previdência deverá estar finalizada em quatro meses e a tributária, até o fim do ano", disse Furlan muito otimista.

Mais agronegócios — O ex-presidente da Sadia cobrou a parte dos países desenvolvidos. "Só podemos continuar nos desenvolvendo também se houver acesso aos mercados", disse o ministro. Ele destacou que as negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Européia avançaram bastante, com boas ofertas da UE. "No entanto, elas não incluem o setor de agronegócios, aquele que mais interessa aos países do Mercosul", afirmou Furlan, acrescentando que 80% das exportações uruguaias, 50% das argentinas e 40% das brasileiras são de produtos deste setor.

Flexibilização e continuidade — Na Declaração de Frankfurt, divulgada ao fim da conferência, o empresariado alemão "conclama novamente a UE a acelerar as negociações do planejado acordo com os países do Mercosul" e lembra que "para o sucesso das negociações é preciso maior flexibilidade na política agrária européia". Os alemães afirmam ainda ver a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) como algo positivo, mas que ela não deve levar as empresas alemãs à perda de suas fatias de mercado. No documento, os países latino-americanos se comprometem, por sua vez, a dar continuidade às reformas estruturais, privatizações, desregulamentações, liberalização e democratização.

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