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Mundo

Portáteis e mortíferas

Armas portáteis matam anualmente mais seres humanos do que as high-tech e as propriamente chamadas de extermínio em massa. A ONU tenta conter sua proliferação. Na Alemanha, medidas ainda são insuficientes.

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Destruição de armas na Bósnia

Representantes de todo o mundo estão nestes dias – 7 a 11 de julho – reunidos em Nova York para fazer o balanço de uma campanha bem intencionada, mas com escassas perspectivas de cumprimento de seu objetivo maior. Há dois anos, a ONU aprovou recomendações e diretrizes para o combate às armas de pequeno porte e armamentos leves. A ambiciosa, senão utópica, meta é sua proibição total.

Nos últimos dez anos, 90% dos mortos em guerras foram vítimas de armas deste tipo. Estima-se que existam 500 milhões delas no mundo. E a demanda prossegue alta, alimentada por conflitos como os da Libéria, Congo, Colômbia e Palestina. Os expoentes desta classe mortífera são os rifles russos Kalashnikov e alemães G3. Ambas têm em comum sua confiabilidade, robustez e durabilidade.

Ein zwölfjähriger Kindersoldat in der Stadt Bo in Sierra Leone präsentiert seine Kalaschnikow

Menino soldado de apenas 12 anos mostra sua Kalashnikov, em Serra Leoa

Em 2001, a primeira conferência das Nações Unidas sobre o assunto aprovou um programa de medidas, segundo o qual os países deveriam restringir através de leis a proliferação das armas portáteis e combater ativamente o contrabando. As diretrizes não tiveram porém caráter obrigatório, pois importantes governos, como o dos EUA, se recusaram a participar da iniciativa.

Dever de casa - Mesmo assim, alguns países levaram adiante algumas recomendações da ONU. Por exemplo, a Alemanha, que mudou sua legislação e começou a destruir armas velhas e obsoletas. Somente no ano passado, 500 mil rifles G3 foram inutilizados pelo governo alemão.

Em abril, entrou em vigor uma nova lei que estende a exigência de porte de armas também para armas de ar comprimido e tiro de festim. Aparentemente inofensivas, elas são usadas com freqüência para a prática de crimes como assaltos. Ninguém sabe ao certo quantas armas deste tipo existem no país. Os cálculos variam entre dois e 12 milhões. Somente numa grande cidade como Colônia, 50 mil pessoas possuiriam tais armamentos.

Números preocupantes - Apesar de o território alemão não ser palco de conflito armado, as estatísticas mostram que as armas de pequeno porte e armamentos leves também causam baixas significativas no maior país da União Européia. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1201 pessoas morreram na Alemanha vítimas de armas de fogo em 1999, seja em homicídios, suicídios ou acidentes. Dentre os países da UE, o número só é menor do que o da França.

Ao todo existem 84 milhões de armas portáteis na União Européia, 80% delas em mãos particulares. Ou seja, a cada 100 pessoas, 17 possuem uma arma de fogo. Além da Finlândia (39%), França e Alemanha têm alta incidência, com 30%, enquanto Grã-Bretanha (10%) e Holanda (2%) apresentam baixos índices, reflexo de suas rígidas leis de porte de arma.

Amoklauf eines Schülers in Coburg

Alemanha tem segundo maior número de vítimas de armas de fogo na União Européia

O governo alemão não sabe sequer quantas armas de fogo estão distribuídas entre a população. As registradas não passam de 7,2 milhões, mas especialistas estimam que os cidadãos possuam até 24 milhões em seu poder. A obrigatoriedade de registro foi implementado apenas em 1972 e de forma descentralizada. Por outro lado, o comércio de armas acusa vendas crescentes. Nos últimos anos, foi vendida no país uma média de um milhão de pistolas e rifles.

É preciso agir mais - Para o Centro Internacional de Conversão de Bonn (BICC), as medidas tomadas pelo governo representam avanços, mas ainda há muitas lacunas abertas. Armas desenvolvidas na Alemanha são hoje fabricadas e vendidas no exterior. Berlim prometeu reprimir a proliferação descontrolada também destas unidades, mas até agora não explicou como pretende fazer isto.

O BICC não acredita, entretanto, que somente novas leis e portarias governamentais serão capazes de reverter a situação. Não basta a lei restringir a posse de armas. A sociedade deve conscientizar-se desta necessidade. E esta responsabilidade cabe não só aos políticos, mas também às famílias e às escolas, adverte a organização. Caso contrário, corre-se o risco de a Alemanha ver tragédias como as de Erfurt e Coburg entrarem para seu cotidiano.

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