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Cultura

Por uma nova antropofagia dos povos lusófonos

Artistas e estudiosos refletem em Berlim sobre identidade e diversidade cultural nos países de língua portuguesa. O evento foi organizado pelas embaixadas e pela Universidade de Belas Artes de Berlim.

Com o evento Quem come Quem, realizado neste sábado (17), a Faculdade de Artes Cênicas da Universidade de Belas Artes de Berlim abriu as portas para uma futura cooperação com os países de língua portuguesa, conforme anunciou o decano Andreas Wirth. A vantagem de uma parceria duradoura seria refletir sobre as manifestações culturais lusófonas, relativizando a perspectiva eurocêntrica.

Com uma programação de música, permeada por debates e pausas para degustação de especialidades culinárias, o evento girou em torno da documentação do projeto teatral Viagem ao Centro do Círculo, realizado entre 1998 e 2000, pelo encenador alemão Stephan Stroux, em cooperação com a iniciativa portuguesa Cena Lusófona.

Teatro como laboratório intercultural

Quem come Quem é o título do espetáculo resultante do trabalho de Stephan Stroux com atores dos países de língua oficial portuguesa (excetuando-se Timor Leste): uma tentativa de descobrir o que une e separa culturas com um idioma comum. Através da exploração de diferentes linguagens gestuais e musicais, o teatro teoricamente permite descobrir nuances e diferenças culturais que uma língua comum oculta.

Basta colocar lado a lado danças africanas, canções da MPB e a prosódia portuguesa, para revelar a diversidade. No entanto, a documentação de Quem come Quem também mostra que a colagem de diferentes manifestações culturais corre o risco de transformar a diversidade num espetáculo de variedades.

A ntropofagia e herança colonial

Com a organização do evento em Berlim, o encenador Stephan Stroux, que já dirigiu diversas produções em Portugal, na África e nas Américas, lançou nova luz sobre seu projeto, convidando artistas e estudiosos a refletir sobre as possibilidades de uma "antropofagia" contemporânea. Tudo indica que a relação entre "centro" e "periferia" precisa ser repensada, para fazer jus à complexidade das manifestações culturais do universo lusófono.

Se o movimento antropofágico brasileiro, na década de 20, ainda conseguia localizar uma cultura – a européia – a ser "deglutida", os diferentes canais de intercâmbio que hoje ligam Europa, América Latina e África possibilitam outras receitas e outros temperos. Refletindo sobre a herança da história colonial, o idioma como instrumento de poder e expressão e sobre as formas de percepção intercultural, os debates esboçaram novas possibilidades da fórmula "quem come quem".

Divulgação e respaldo institucional

A programação com concertos do paulistano João de Bruço, residente em Viena, e dos portugueses Lula Pena e Carlos Bica/Ana Brandão, atraiu um público diversificado para o auditório da Universidade de Belas Artes de Berlim. Além de mostrar diversos lados das culturas de língua portuguesa, Quem come Quem abriu um importante precedente: trata-se do primeiro evento cultural realizado por uma cooperação das embaixadas do Brasil, de Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Links externos

  • Data 18.11.2001
  • Autoria Simone de Mello
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